Yuri Lopes
Goiânia – Formada em Direito pela PUC-GO, a goiana Larissa Metran não exerceu a profissão de advogada por muito tempo. O culpado do desvio de rota foi o pôquer, jogo que ela aprendeu durante um churrasco entre amigos, depois de todo mundo enjoar do barulhento truco.
Larissa é uma das convidadas da sexta etapa do Brazilian Series of Poker, evento que será realizado desta quinta (5/9) até a próxima segunda (9/9), no Rio Quente Resorts. Mais de 250 jogadores de países como Argentina, Alemanha, Canadá, Dinamarca, Nova Zelândia, República Tcheca, Reino Unido, Rússia, Suécia e Uruguai estarão presentes.
Desde que virou jogadora profissional, a goiana chegou à mesa final em três etapas do Campeonato Brasileiro de pôquer e ganhou mais de 600 mil dólares em prêmios.
Como é a sua rotina, já que você joga on-line e também viaja?
Quando estou em Goiânia jogo on-line de 3 a 5 vezes por semana, o que pode durar 5 horas por dia em dias ruins e até 14 horas em dias melhores. O bom de jogar on-line é que eu mesma posso fazer meus horários, resolver os problemas que todo mundo tem e só depois começar meu horário de trabalho na hora que for mais viável para mim, é ótimo! Só tenho que ter disciplina. Já quando estou viajando meus horários ficam bem bagunçados, pois é muito tempo jogando. Muita gente pensa que é fácil, mas ficar 50 horas jogando o meu melhor pôquer é uma tarefa difícil!
Como surgiu o interesse por jogar pôquer?
Tudo começou numa brincadeira. Estava num churrasco com amigos e quando cansados de jogar o bom e velho truco, um amigo resolveu ensinar o “novo” jogo. Foi então que desde o primeiro contato com o pôquer eu me apaixonei, vi que ali tinha muita estratégia envolvida. Então comecei a assistir as transmissões televisivas dos campeonatos mundo afora e achava aquilo bonito demais, era quase inacreditável ver jogadores profissionais quase que lendo a mente dos oponentes!
Qual foi o maior prêmio em dinheiro que você ganhou de uma só vez?
Nunca tive um “big hit” (grande acerto) como é chamado entre nós, jogadores profissionais. Meu maior prêmio foi on-line, de 21 mil dólares.
O que sua família e amigos acham de você não ter uma profissão formal?
Desde o início meus amigo achavam demais, me pediam pra eu ensiná-los, brincavam dizendo que queriam ser meus empresários! Acham super legal terem uma amiga “famosa”. Criaram até um chat entre nós com o título, “sou amigo da Metran” (risos). Já minha família, não reagiu da mesma forma, venho de uma família tradicional, modernidade zero, mas acho que o fato de eu ter um curso superior me ajudou muito aos olhos deles. Já tivemos muitos problemas quanto a isso, mas hoje a realidade é bem diferente, já estão orgulhosos de mim!
Você é de Goiânia, mas mora em que cidade agora?
Amo essa cidade e graças a Deus ainda moro aqui.
O que está incluso na parceria que você tem com o Full Tilt? É apoio, patrocínio…?
O Full Tilt é o segundo maior site de pôquer do mundo e ter o patrocínio dele foi realmente um sonho realizado, pois é muito difícil estar nessa profissão sem patrocínio algum. Hoje posso viajar para jogar os torneios com as inscrições dos torneios e as despesas pagas, uma parte das inscrições de torneios no site e ainda alguns extras por mídia e coisas do tipo.
Você é formada em Direito. Chegou a exercer a profissão ou não?
Sou sim, me formei pela PUC-GO e só exerci a profissão durante 9 meses quando estava fazendo estágio com um juiz no fórum de Aparecida de Goiânia.
Como foi a sua formação no jogo? Você joga pela primeira vez na faculdade, mas e depois, fez curso, ou aprimorou só pela experiência mesmo?
Minha primeira fonte de estudo foi um livro. Depois disso eu conheci meu namorado e dois amigos na Federação Goiana de Pôquer. Eles eram muito bons. A partir de então começamos a estudar o jogo juntos, discutir jogadas, assistir vídeos na internet, assistir torneios televisionados… Fazíamos tudo que fosse possível para evoluir no jogo, o que resultou na criação de um time de pôquer, o Steal Team, que hoje é considerado o maior time de pôquer do Brasil.
Como será a sua participação no evento de Rio Quente?
O evento vai começar na quinta feira, mas só chegarei por lá na sexta, que é o dia em que começa o Main Event, o torneio principal. Eu jogarei este e os torneios paralelos que forem ocorrer e ainda estarei por lá para tirar fotos, dar entrevistas, representando o Full Tilt Poker. Para quem não sabe, o BSOP, Brazilian Series of Poker é o principal torneio do Brasil, com oito etapas no ano, em vários lugares do Brasil. Esta vai ser a sexta etapa do ano e qualquer um pode se registrar.