O resultado do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2010, divulgado recentemente, evidencia a necessidade de mudanças profundas nessa etapa do ensino nas escolas públicas de todo o país e, em particular, na rede pública em Goiás. O nosso estado manteve a 16ª posição no ranking nacional do exame, embora tenha melhorado a média geral. As escolas da rede estadual cresceram, em média, 2,2%, mas ficaram abaixo do avanço registrado pelas escolas estaduais no país, que foi de 3,5%. São dados importantes, embora reflitam apenas parcialmente a realidade de nossas escolas.
Por não ser obrigatório, o Enem deixa fora da avaliação muitas unidades educacionais, principalmente as públicas, que precisam, definitivamente, estimular seus estudantes a fazerem as provas. Das 600 escolas estaduais que oferecem o ensino médio em Goiás e onde estão matriculados 85% dos cerca de 270 mil alunos do ensino médio de todo o estado, 574 participaram do Enem. É um número expressivo, entretanto, apenas seis delas registraram mais de 75% de participação dos seus alunos. Enquanto no restante do país 50% dos estudantes de escolas públicas fizeram o Enem, em Goiás, esse índice foi de 35%.
O agrupamento de escolas por índice de participação dos seus alunos, adotado pelo Inep/MEC na aplicação do último Enem foi um avanço. Mas, é preciso aprimorar ainda mais esse sistema de avaliação. O Enem deve tornar-se obrigatório em todas as redes educacionais, em todas as escolas e para todos os estudantes. Os resultados também devem ser divulgados com mais rapidez, para dar ao Estado a oportunidade de rever o ensino e corrigir rumos, de forma mais eficiente. Só assim, com todos participando, o Enem servirá realmente de diagnóstico do ensino médio, ampliando, ao mesmo tempo, consideravelmente e de forma progressiva, as chances de acesso dos nossos alunos ao ensino superior.
Enquanto isso não acontece, a escola pública tem o dever de estimular a participação dos alunos da rede estadual, de incluí-los nesse processo que pode levá-los à universidade pública e ao ensino superior particular, por meio das bolsas do Prouni. Mais que isso, de prepará-los, e bem, para as avaliações do Enem e as demais avaliações internas e externas. É isso que iremos fazer na rede pública estadual.
E para preparar bem nossos alunos, é preciso, antes disso, preparar nossos professores. As diretrizes da reforma educacional, apresentadas para o debate com a sociedade no início de setembro, prevêem, como um dos pilares, um sólido programa de formação continuada voltado para o aperfeiçoamento dos professores de toda a rede, inclusive, os de ensino médio. E não apenas os professores de 3º ano, mas dos três anos, que são decisivos na vida dos nossos jovens.
Na rede estadual em Goiás, 227 escolas de ensino médio adotam o ensino médio ressignificado, com currículos diferenciados e com semestralidade, atendendo mais de 60 mil alunos. Mesmo nessas unidades, entretanto, há necessidade de se aperfeiçoar o modelo de ensino e capacitar melhor os profissionais, para que os estudantes tenham realmente suas oportunidades ampliadas. As provas do Enem seguem esse novo modelo de Ensino Médio e suas provas são diferentes das provas de vestibular do país, com base na interdisciplinaridade e transversalidade.
Rever as estratégias para o ensino, aperfeiçoar os currículos, fortalecer as escolas e oferecer aos professores o suporte de que precisam para orientar nossos jovens. Essas são algumas medidas previstas na reforma e que vão mudar o ensino médio na escola pública da rede estadual. Além disso, vamos firmar parcerias com a iniciativa privada e outros órgãos públicos para inserir alternativas de preparação técnica profissional aos alunos, para que, ao concluírem a educação básica, estejam realmente preparados para o futuro. Rumo à universidade e ao trabalho.
Thiago Peixoto é secretário de Estado da Educação, economista e deputado federal licenciado.