Sempre quando chove o goiano tira o agasalho do armário.
Sempre quando chove lembro que não tenho um guarda-chuva decente.
Sempre quando chove minha garganta inflama horrores.
Sempre quando chove minhas filhas têm complicações respiratórias (maldita carga genética que passei para elas).
Sempre quando chove o motorista acha que as regras de trânsito podem ser desrespeitadas.
Sempre quando chove todos sabemos os pontos da cidade que terão alagamento ano após ano.
Sempre quando chove as pessoas das áreas de risco passam por perrengues que serão esquecidos no período da seca.
Sempre quando chove vemos um engavetamento por sinaleiro nas ruas da cidade.
Sempre quando chove fico paranoico com qualquer mosquito voando perto de mim com medo de ser um aedes aegypti.
Sempre quando chove guardo meu umidificador de ar e penso: “Até ano que vem!”.
Sempre quando chove fico com dó do meu cachorro dormindo do lado de fora da casa.
Sempre quando chove aquelas músicas do Garbage e do Travis não saem de minha cabeça.
Sempre quando chove sinto uma preguiça gigantesca de cumprir minhas atividades rotineiras.
Sempre quando chove quero consumir o maior número de calorias possíveis, sei lá a razão.
Sempre quando chove me lembro das datas mais legais do ano: carnaval, réveillon e Natal.
Sempre quando chove penso na canseira de quem depende do transporte coletivo para seu dia-a-dia.
Sempre quando chove me recordo dos atoleiros que já enfrentei na vida e saí com lama até dentro da orelha.
Sempre quando chove tenho pena de quem empreende na noite e terá seu negócio duramente afetado pela imposição climática.
Sempre quando chove me vem à mente as tempestades que já encarei, de chegar em casa completamente ensopado.
Sempre quando chove me dá vontade de ir para o meio do mato.
Sempre quando chove eu fico bobo igual criança admirando as gotas que caem pela janela.