É fato consumado: apesar de todo esperneio do DEM, o Partido Social Democrático (PSD) nasceu ontem com uma vitória acachapante no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por seis votos a favor e somente um contrário. Então agora temos mais um partido político no Brasil, o que definitivamente não quer dizer uma nova opção política para o Brasil. O partido nasce forte, com um monte de gente expressiva em suas fileiras, mas não tem ainda o que muito partido nanico e sem nenhum eleito tem, a tal da identidade.
Formado por um ajuntamento de insatisfeitos das mais diversas siglas, o PSD carece daquilo que está tão em falta na política tupiniquim, que é a coerência. O partido foi formulado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que queria bater as asas do DEM, mas sem correr riscos com seu mandato. E essa mesma lógica foi repetida com lideranças de todo Brasil. Pelos mais diversos motivos, os que precisavam sair de seu partido de origem e tinham o receio de perder o mandato correram em direção ao “novo partido” por conta dessa reserva legal ao entendimento de que os mandados são dos partidos, não das pessoas. E o “novo partido” tem que estar entre aspas mesmo, pois se a sigla é nova, as práticas são velhas… Bem, pensando melhor, a sigla também não é nova, pois já foi historicamente usada no Brasil. Afinal de contas, o que o PSD traz de novo?
Segundo Kassab, o PSD não seria um partido nem de centro, nem de esquerda e nem de direita. Tudo ao mesmo tempo agora, mas conforme a conveniência. Vamos refletir isso sob a ótica de Goiás. No campo federal, nasce alinhado com a presidenta Dilma Roussef. Localmente, nasce nas entranhas do Palácio das Esmeraldas comandado pelo tucano Marconi Perillo. É público e notório que Marconi e Dilma não compartilham da mesma, digamos, perspectiva política. E como o PSD consegue administrar essa contradição? Tá qual aqueles que já fazem uso dessa incoerência. Enrola de cá, embroma de lá, escorrega acolá. Mas todo mundo sabe o que isso significa de verdade: quer estar perto do poder, independente de quem por lá esteja. Ou seja, nenhuma prática nova na política brasileira.
Assim como Vila Nova e Goiás podem surpreender escapando da Série C, o PSD pode também ser uma surpresa e apresentar uma nova forma de fazer política em 2012. Criando uma cara, ganhando corpo e se posicionando de acordo uma doutrina ideológica. Pode ser? Pode. Eu acredito? Não. Penso que o PSD tem o mesmo vício de origem do PMDB: partidos que nasceram de aglutinamentos de lideranças políticas de diversas raízes, colocadas sob a mesma sigla por uma circunstância. Se no PMDB foi a reunião da oposição sob essa única legenda durante o regime de exceção dos militares, o PSD é a reunião de insatisfeitos que não queriam colocar o mandato em risco. Aí, meu amigo, para alinhar sob uma mesma perspectiva vilanovenses e esmeraldinos, palmeirenses e corintianos, flamenguistas e vascaínos… Missão hercúlea.