O mercado e automóveis, em apenas poucos dias, ficou de pernas para o ar. O governo, numa clara atitude de tentar proteger a indústria nacional e os empregos, decidiu elevar os impostos para os carros importados. Por si só a medida foi um banho de água fria nos inúmeros projetos ou de elevar a importação ou planejar construir fábricas no Brasil. Junto com isso veio a crise mundial, que elevou o dólar a um novo patamar do qual dificilmente cairá tão cedo. O resultado de tudo isso: carros importados mais caros e a volta da preferência popular pelos modelos nacionais.
Muita gente considerou esse novo cenário como uma atitude de reserva de mercado por parte do governo, que claramente ajudou as indústrias instaladas aqui e no Mercosul. Outros disseram que isso representou quebra de contrato, já que muitos investimentos futuros poderão ser afetados no setor automobilístico. Mas o que se esperava, que o governo cruzasse os braços e deixasse o mercado ser devorado por uma condição cambial que só fazia ajudar os fabricantes estrangeiros? E os empregos nacionais?
Levando por esse ponto de vista, a medida foi muito acertada, a despeito de representar eventuais mudanças de planos por parte de muitos consumidores, que se viam dentro de modelos completos, com mais de cinco anos de garantia e a preços sem comparação no mercado doméstico. Paciência. O usufruto de poucos não pode prevalecer sobre a maioria. Era necessário fazer alguma coisa.
Se o dólar em baixa já era motivo suficiente, atrelada à perda sistemática de participação das montadoras nacionais (que davam férias coletivas e ameaçavam demissões), há a crise internacional. As pessoas quando analisam o quadro externo querem olhar apenas para o próprio umbigo. Sim, temos uma condição especial em termos de reservas cambiais e lastro em capital próprio em reais por conta dos depósitos compulsórios para inundar o mercado de dinheiro, elevar o que os economistas chamam de liquidez e permitir linhas de crédito mais baratas e abundantes. Tudo isso ainda impulsionados por taxas de juros pretensamente menores.
Mas e o mercado externo. O Brasil depende de vendas ao exterior e se a crise pega a Europa, os Estados Unidos, nos resta como saída o mercado interno. Só que não temos tamanho nem renda nem demanda para justificar a simples troca de registro. Isso quer dizer que as vendas das indústrias vão cair, que poderá haver mais desemprego. Mesmo que haja elevação de impostos como essa dos carros importados, mesmo que haja mais crédito, mesmo que os juros caiam.
A crise poderá nos ser mais branda, mas continuará sendo crise. É bom se preparar.