Estou embasbacado com a repercussão que o tal vídeo do Walter ganhou. Não é possível que algo tão simples tenha gerado tamanho bafafá. Que mundo é esse? Os coxinhas ganharam mesmo o jogo. Não vi nada desrespeitoso na fala do atacante esmeraldino. Você viu?
“Vou deitar e rolar!”. Convenhamos, uma fala para lá de inocente. Qualquer dois segundos de um vídeo do Porta dos Fundos que bomba na internet tem mais ofensas que essa frase até pueril.
Ele não falou vou humilhar esses urubus fedidos. Ele não falou vou limpar a bunda com a camisa rubro-negra. Ele não falou vou cuspir no cadáver de cada familiar que já tiver morrido dos jogadores adversários.
Se um atacante não pode brincar em ambiente interno, dizer que vai deitar e rolar na próxima partida, é melhor acabarmos com o futebol no mundo. Ou ele acabará, ao menos para mim. Que chatice sem fim seria esse esporte sem a zoeira.
Aliás, o maior objetivo do futebol para nós que somos torcedores é o entretenimento. Seja a emoção durante os 90 minutos, seja pela sacanagem com o torcedor adversário no dia seguinte.
Esse papinho de honra, de meu único time, de minha terra e meu amor… Eu morro de medo. Na hora me recordo daquele cara do bigodinho que convenceu meio mundo que sua raça era superior às demais. E vocês sabem o quanto de problema para a humanidade isso acarretou. Quem pensa assim em relação ao futebol está trazendo esse ambiente nazista/fascistóide para o esporte. Veja só que beleza…
Se Garrincha jogasse hoje, provavelmente já teria sido condenado à pena de morte por todas as torcidas adversárias. O drible sem compromisso, só pela zoeira, só para abalar a autoestima do marcador, só para divertir o público… Tudo coisa do passado. Mais que isso, amplamente condenável.
Caso tirassem a molecagem do futebol de Garrincha, ele ainda seria um dos melhores de toda história. Com a molecagem, ele se torna simplesmente inigualável. Juca Kfouri o chama de Charles Chaplin das quatro linhas. Concordo. E hoje ele não teria espaço para mostrar esse talento por conta do maldito politicamente correto.
Os que condenam a simplória brincadeira de Walter são os burocratas do futebol. Querem um jogo sério, de resultado. Pode até ser mais eficiente, mas também é de um tédio do tamanho de uma fila do Setransp para comprar passe escolar dos meus idos tempos de estudante.
Vamos levar o futebol com mais leveza e menos seriedade. De estresse, basta o que a vida já impõe. Não se esqueça: aquilo é só um jogo. Se você não o entende assim, na boa, você tem um problema sério. É melhor se tratar.
E vamos deitar e rolar em cima deles nessa Copa do Brasil, Verdão!