Pirenópolis – Carrego uma máxima comigo: o astral de um restaurante não salva uma comida ruim, mas a falta de astral pode destruir uma comida boa. Um parêntesis: chamo aqui de astral a ambientação, o charme interno ou qualquer outra denominação que você, caro leitor e frequentador de eventos tipo Casa Cor, possa com mais conhecimento técnico dar.
Para comer, precisamos antes de tudo nos sentirmos bem. Entenda que não estou falando de luxo e requinte. Isso, às vezes, pode ser um baita corta onda na hora de uma refeição. O astral pode ser um balcão onde você escore e coma um pastel. O astral pode ser uma parede repleta de garrafas e pôsteres de time de futebol de décadas passadas. O astral pode ser a bebida servida até mesmo em copo de requeijão. O fundamental é ter uma assinatura, uma identidade, algo que reconforte o cliente.
A falta de astral faz com que eu nunca mais volte a um local. Uma vez fui atrás de uma tapioca recomendadíssima por um grande amigo em uma ruazinha do Centro. De fato, a tapioca era sensacional. Mas só volto ali se for para pegar e levar para comer em casa, embora eu nem saiba se ele ainda está funcionando…
O restaurante era um salão amplo e espaçoso, de pé direito alto. Dava para fazer algo legal. Mas não aconteceu. Os caras botaram uma iluminação branca que parecia que eu estava na enfermaria de algum hospital. Em cada parede tinha uma televisão ligada em um canal diferente, parecendo loja que vende eletrodomésticos na Anhanguera. Zero de aconchego. E também zero minha perspectiva de retorno ao local. Não me sinto bem comendo no sofá de uma dessas lojas barulhentas e muito menos em uma cama dobrável de hospital. Essa era a sensação que eu tinha enquanto mandava ver na tapioca.
Pela ambientação você comunica o que serve, de que forma e qual seu padrão. A expectativa do cliente é alimentada (sem trocadilhos, por favor) pela composição do espaço. O foco só na qualidade do produto servido é insuficiente para que o cliente retorne outras vezes e faça o tão importante comercial boca a boca para o estabelecimento.
Dar uma cara ao estabelecimento é parte central do negócio. Identidade e personalidade são virtudes que todo mundo que trabalha com comida deve buscar. Não diria que é tão necessário quanto caprichar na preparação dos pratos, mas chega perto.
Se você, caro empresário, não é uma pessoa de boas ideias nesse ramo, sem problemas! Ninguém é obrigado a saber de tudo. E como você já saca de cozinha, seu caminho está bem trilhado. Mas como dar o astral não é seu forte, por favor, contrate alguém que saiba fazer isso. Garanto que será um investimento com retorno certo em curto prazo.