Rodrigo Santoro e Cauã Reymond acham graça da observação do repórter de
que, agora que Rodrigo Lombardi virou o homem mais sexy do Brasil, só
resta a ambos serem bons atores. Não existe ator mais encanado com a
imagem de homem sexy do que Cauã. Ele acha que a TV já explora bastante
essa faceta. No cinema, segue por outra linha e, por isso, privilegia
sempre os filmes de autor.
Cauã e Rodrigo fazem irmãos em “Meu País”, o belo longa de André Ristum
que estreia sexta-feira em quase todo o Brasil. Ambos têm mais um filme
juntos, e pronto. Falam maravilhas de “Reis e Ratos”, de Mauro Lima. “O
filme tinha um visual extraordinário em preto e branco, mas a
distribuidora Warner resolveu colorir. Levava medo, mas o que vi gostei
bastante”, diz Cauã.
Um filme de autor, um papel de jogador compulsivo, tudo colocava Cauã
Reymond dentro de “Meu País”. A entrada de Rodrigo Santoro foi um pouco
mais complicada. Ele estava exausto, depois de ter emendado um filme no
outro. Estava de malas – e prancha – prontas para sair e surfar. Tocou o
telefone. Era Fabiano Gullane, oferecendo o papel. “Não, bróder, não
dá.” O outro insistiu: “Mas posso enviar o roteiro? Lê como amigo”. Foi a
perdição de Rodrigo. Ele varou a madrugada lendo e, no dia seguinte, já
estava adiando o surfe. As ondas podiam esperar; o papel, não. O que
havia de tão atraente? “Venho de uma família italiana, mas apesar de o
meu nonno (avô) insistir, nunca falei italiano. O filme é sobre família,
eu falo italiano, tudo isso foi um desafio, e muito atraente.”
Na abertura do filme, morre o pai, interpretado por Paulo José. O ator
traz sua persona, toda uma história, para o personagem. Rodrigo, que
construiu uma vida na Itália, vem para tratar do espólio. Não tem
diálogo com o irmão, que está dilapidando a fortuna familiar no jogo.
Logo vem a descoberta de que ambos têm uma meia-irmã e a garota, Débora
Falabella, está num instituto psiquiátrico. Os laços de sangue falam
mais alto, no final chega-se a um precário equilíbrio. A morte do pai, a
divisão entre Itália e Brasil, tudo isso remete às mais fundas
experiências do diretor André Ristum, mesmo que o filme não seja
autobiográfico.
O pai de André, Jirges Ristum, morreu quando ele era criança. Jirges era
amigo de Glauber Rocha e os dois pais, o biológico e o artístico, se
refletem no cinema de Ristum, que já fez um curta sobre a
correspondência entre ambos. Todas essas referências estão no filme e
exigiram empenho e concentração dos atores. O trio de protagonistas teve
uma preparadora de elenco e desta vez, não foi Sérgio Penna, que quase
sempre desempenha esse papel para Rodrigo, mas Laís Correa. “Ela criou
uma memória afetiva muito bacana para nossos personagens. Brincávamos,
Rodrigo e eu, de que éramos um do Corinthians e outro do São Paulo para
estimular nossas rivalidades”, conta Cauã.
Pelo seu perfil – cinema exigente, intimista -, “Meu País” não leva
jeito de estourar na bilheteria e virar blockbuster, mas o lançamento
pequeno, caprichado, poderá garantir ao filme uma carreira digna de suas
qualidades. “Tomara”, diz Rodrigo. Cauã vai fazer a próxima novela das
9, de João Emmanuel Carneiro, e antes roda em São Paulo um filme sobre a
orquestra de Heliópolis. Rodrigo joga todas as suas fichas em “Heleno”,
sobre o lendário Heleno de Freitas. Ele amou o personagem, foi um dos
produtores do filme. Heleno era conhecido por cabecear e matar a bola no
peito. Rodrigo parou com o surfe, preparou-se com Cláudio Adão, o
grande matador no peito dos últimos anos. O filme teve uma projeção em
Toronto, foi ovacionado. Outro projeto de Rodrigo Santoro surpreende:
Arnold Schwarzenegger está voltando e um papel importante do seu novo
filme foi oferecido ao astro brasileiro. “É bacana, estou aguardando,
mas é quase certo que vai sair.” As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.