Foi uma dura campanha, mas o Fluminense conseguiu outro título para sua galeria: o de time mais odiado do Brasil. A decisão de ontem do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que salvou os cariocas e colocou a Portuguesa na Série B de 2014 deixou inconteste o primeiro lugar em antipatia geral pelo clube. Time de guerreiros!
Como todo campeonato, a disputa pelo ódio brasileiro também foi repleto de emoções, cheio de altos e baixos. E não começou na decisão final de ontem. A campanha vitoriosa teve início em 1997, na primeira virada de mesa que salvou o time das Laranjeiras da Segundona. O episódio de 2000, com o salto imediato da terceira divisão para primeira, fez com que a equipe ganhasse muitos pontos. Mas ontem foi a vitória definitiva.
Entendo que se formos observar friamente a lei, a Portuguesa errou. Contudo, concordo com o Tostão quando ele fala dos Zé-Regrinhas – gente que não entende que a lei deve estar a serviço de algo maior chamado justiça. E o justo era o rebaixamento do Fluminense, pois a equipe não conquistou dentro de campo aquilo que o STJD garantiu. Só um torcedor cego pela paixão não reconhecerá que o sensato é a Série B para as Laranjeiras em 2014.
E engraçado que o Fluminense migrou de time mais chato do Brasil (como eu havia escrito no ano passado) para o mais odiado. A chatice vinha pela sequência de bons resultados que geram implicância nas outras torcidas, o ódio vem da sequência de decisões nos tribunais que contrariam os resultados em campo que sempre favorecem o tricolor.
Não dá mais para torcer em nenhuma hipótese para o Fluminense. Naquela Libertadores que a LDU levou dos cariocas na final, eu torci pelo clube brasileiro. Se aquele jogo fosse hoje, seria equatoriano desde criancinha. Esse é o preço de ser odiado.
Prevejo um 2014 complicado para o Fluminense. A rejeição pelo time fará com que os outros clubes sejam estimulados por suas torcidas para se empenharem mais quando enfrentarem o pó-de-arroz.
E não se sabe como está o planejamento da diretoria para o próximo ano. Será fácil arrumar patrocinador depois desse desgaste de imagem ou as empresas adotarão uma postura Nissan, que rompeu o contrato com o Vasco depois das cenas de barbárie no jogo contra o Atlético Paranaense? Não sei a resposta, mas não acho que exista uma fila de interessados em investir dinheiro aliando sua marca à do Fluminense.
Legal mesmo seria se todos os jogadores das demais equipes se recusassem a entrar em campo em jogos contra o tricolor. Aí sim eu queria ver o que fariam os reis do tapetão…