Goiânia – A violência chegou com gosto nos shopping centers. Seja em São Paulo, seja no Rio de Janeiro, seja em Goiânia. O refúgio supostamente tranquilo, onde a classe média deixa seus filhos passearem sem grandes preocupações não é mais esse oásis frente ao caos das ruas do Brasil. Não se admire se começarmos a ver assaltos nos condomínios horizontais e verticais de luxo. Aliás, já estamos vendo.
A verdade é que não há segurança sem justiça social, sem essa enorme disparidade de renda que temos no Brasil. Além disso, somos um povo de índole absurdamente violenta. Nossa primeira opção para resolver qualquer desconforto é a mais drástica possível.
A cultura do Brasil é banhada em sangue. Do mais fraco, do mais trouxa. O lance é porrada por qualquer motivo: trânsito ou futebol, traição conjugal ou discordância com o vizinho. Tudo é razão para sairmos na mão.
Se endurecemos o combate como o sedutor discurso da direita defende, o crime volta mais agressivo do outro lado. Essa escalada é infinita.
É inacreditável o quanto soa ingênuo o tipo de solução para o roubo de residências que tomavam quando eu era criança. Fixavam cacos de vidro em cima dos muros. Hoje é até poético ver um passarinho pousar entre os reflexos coloridos do vidro picado.
Atualmente é cerca elétrica e câmera para tudo quanto é lado. E mesmo com esse aparato de prisão de segurança máxima, o bandido lhe aborda com um cano na sua orelha quando você está entrando em casa e de nada valeu morar dentro dos muros e grades. Com eu disse, a corrida entre segurança e recrudescimento das práticas violentas por parte dos criminosos é sem fim.
Confesso que, junto do trânsito, esse é o assunto que mais me angustia atualmente. Eu tinha convicção de que a melhoria da renda na base da pirâmide social brasileira seria solução para a violência no Brasil. Eu estava errado. Os índices de renda melhoraram nos últimos anos e a violência bate recordes ano após ano. Não se trata só de dinheiro no bolso. Esse é um dos itens. Estamos falando de ter uma cabeça diferente. E mudar uma cultura leva tempo.
Perdemos uma chance no momento do referendo do desarmamento. O falacioso argumento de que desarmar o cidadão de bem para deixar o bandido com pistola pegou. Uma bobagem sem o menor fundamento. Quanto menos arma circulando, melhor. Não importa na mão de quem.
O preocupante é que cada vez mais parece que a solução para ter uma vida longe da violência brutal é um visto permanente para viver em outro país. Percebo mais e mais pessoas fazendo planos de morar fora do Brasil na velhice com medo da violência. Triste quando um povo precisa abandonar seu país para ter tranqüilidade. Muito triste…