Larissa Lessa
O shopping está perdendo espaço como local de compra de presentes para o Dia das Crianças. É o que aponta pesquisa divulgada nesta quinta-feira (6/10) pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Mercadológicas (Cepem/Alfa) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL). A pesquisa desse ano coloca os shoppings em terceiro lugar (16,1%) como preferência de compra, atrás de camelódromos (22,7%) e lojas de rua (57,2%).
Para o coordenador da pesquisa, Aurélio Troncoso, a queda de 9,6% na preferência dos entrevistados pelo shopping em relação ao ano de 2010 é resultado direto de outro dado da pesquisa: mais de 83% dos goianienses pretendem gastar entre R$ 30 e R$ 100 na compra do presente para o Dia das Crianças. “As pessoas estão gastando menos e, consequentemente, procuram lugares em que os preços são mais baixos, como os camelódromos e as lojas de rua”, diz.
Em dois anos, o acumulado de perda de preferência dos shoppings chega a 12,4%. Mas, quando os entrevistados são as crianças, essa relação se inverte. Mais de 90% delas gostaria que seus presentes fossem comprados no shopping, um aumento de 6% em relação a 2010. Na hora de presentear, a preferência de 75% das crianças ainda é pelos brinquedos. Já os adultos entrevistados estão divididos entre o brinquedo (47,1%) e vestuário (38,3%).
Vendas
A diminuição do valor dos presentes não significa, necessariamente, queda de vendas para o comércio. “O preço é menor, mas a quantidade de presentes vai aumentar. Além dos pais, tios, avós e padrinhos também estão presenteando”, explica. É o caso do aposentado José Carlos Barbosa, que já encomendou pela internet um presente para o neto de 8 anos. José Carlos comprou um jogo de videogame por R$ 90 e também deve presentear a neta, que vai completar um ano. A pesquisa mostra que 93% dos entrevistados pretendem presentar os filhos, sobrinhos e netos, aumento de 21,2% em relação ao ano de 2010.
Quanto à forma de pagamento, o dinheiro segue como a preferência dos entrevistados (71,9%). Houve queda de 4,5% em relação ao ano passado do número de pessoas que devem pagar com cartão de crédito. “Esse é um dado positivo e mostra que as pessoas não querem se endividar para o Natal”, afirma o coordenador da pesquisa. Para aqueles que vão às compras, a recomendação do economista é não ceder aos pedidos das crianças. “Vale comprar o presente sem a presença da criança, que costuma pedir produtos mais caros do que o pai está disposto a pagar”, sugere.
Pesquisa
Os dados são resultado da aplicação de 495 questionários com crianças e adultos em diversos pontos de Goiânia, como corredores de grandes circulações, shoppings e escolas. A pesquisa colheu informações socioeconômicas, intenção de compras e preferências das crianças. O Dia das Crianças é a quarta melhor data comemorativa para o varejo, perdendo para Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados.