Vi aqui nos anúncios de A Redação que a Rede Record iniciará a transmissão do seriado Breaking Bad na televisão aberta no próximo dia 14. Se seu acesso à internet não é fácil para resolver isso online, está aí uma grande oportunidade de acompanhar uma das séries mais interessantes dos últimos tempos.
Tive resistência para começar a assisti-la. Só me decidi depois que vários amigos nos quais confio no apuro estético me recomendaram. Não me arrependi.
Sempre tenho dois pés atrás quando alguém me indica uma série. A demanda de um seriado com vários episódios por temporada é grande demais. Leva muito tempo para fechar o ciclo. E como eu tenho um maldito TOC que não me deixa largar as coisas pela metade, vou até o fim mesmo achando um lixo o desenrolar da história.
Está sendo assim no Californication, que já tem umas duas ou três temporadas que está uma pasmaceira só. O pior é que, quando voltar, estarei acompanhando até o final. Quem é doente da cabeça sofre. Por isso não posso dar tiro errado quando um assunto é seriado.
Acertei em cheio quando decidi acompanhar Breaking Bad. A profundidade no trato dos personagens impressiona. As transformações deles no transcorrer dos episódios colocam em cheque o velho dualismo entre bem e mal. Essa visão maniqueísta, pobre e da qual estamos moralmente vinculados por razões diversas. Vender drogas é algo condenável? E se for para garantir o futuro dos filhos? Esse é só o dilema inicial de uma trama que vai longe.
As histórias paralelas dos personagens secundários também imprimem uma dose de drama extra no conjunto total da história. O cunhado do protagonista é o típico tiozão folgado e policial do departamento de narcóticos. A cunhada, esnobe e cleptomaníaca. O parceiro, burro, trapalhão, viciado mas entende do ramo e tem bom coração. E por aí a história segue em Albuquerque, no Estado de Novo México.
Estou no meio da quarta temporada. Então ainda não sei do desfecho que, pelo que me falaram, mantém a série em alto nível. Fora um ou outro telejornal, não assisto nada na televisão aberta. Não acho que esteja perdendo muita coisa. Nesse contexto de desolo, não tenho a menor dúvida que Breaking Bad será um oásis criativo no meio do deserto de boçalidade.
Se tiver oportunidade, fica a dica, não perca.