Uma boa ideia pode ser reconhecida a quilômetros de distância. Assim como uma sacada ruim também cheira de longe. Quando vi a primeira foto no Instagram do designer e professor universitário Marck Al, do qual sou seguidor, sobre o Jardim Novo Mundo, percebi a genialidade da parada e já cliquei na hashtag (#logobairro) para ver as demais. Ainda não tinha nada, mas dias depois pintaram outras três: Vila Canaã, Setor Bueno e Parque Oeste Industrial.
A matéria publicada aqui no jornal A Redação sobre o projeto só confirma o que eu suspeitava: a ideia de Marck é boa demais para ficar só em poucos posts de rede social. Existe um interesse real acerca de uma tradução artística, bem-humorada e indiscutivelmente talentosa que se aprofunde no ethos goianiense, sobre o que representa cada canto de nossa capital.
Somos carentes desse tipo de reflexão. Parece que é caipira se debruçar sobre Goiânia, parece que é um trabalho menor. Parece que o que vem de Goiânia não é goiano de verdade. Parece que se não tiver ligação com Vila Boa, pequi e nossa tradição anterior à mudança da capital, se trata de um trabalho sem peso histórico. Uma baita bobagem!
Existe uma geração de goianienses que têm seus vínculos emotivos inteiramente enraizados na cidade em que nasceram. Existe respeito pelo passado, pelos passos de outros séculos. Mas alguma coisa acontece no coração de verdade é quando cruza a Anhanguera com a Tocantins. É o meu caso. Parece que o do Marck também.
Os brasões sobre os bairros de Goiânia revelam características que todos que vivemos na capital reconhecemos. O trânsito infernal, os grupos marginais, as disputas sangrentas pelo espaço urbano. Existem mais milhões de abordagens possíveis. Uma cabeça fértil como a de Marck pode nos brindar com algo muito maior.
Uma humilde sugestão: por que não colocar esse projeto em alguma lei de incentivo para que ele receba um financiamento que proporcione maior alcance? Exposições em locais estratégicos da cidade em totens facilmente montáveis e removíveis. Algo bem urbano, ágil e que estabeleça contato com a população. Não tenho dúvidas do êxito. Seria sucesso total. Só não sei se é do interesse de Marck, se ele teria saco e tempo para a empreitada.
Se o que falta ao designer é uma força, esse texto pode ser o primeiro passo: vai fundo, Marck! Goiânia precisa de seu talento e humor para uma reflexão profunda do que é ser goianiense.