Raisa Ramos
O primeiro trabalho de Maria Rita foi o disco homônimo, lançado em 2003. Comparações com a mãe, Elis Regina, foram inevitáveis logo no álbum de estreia da cantora e dividiram o público em dois tipos: os que concordavam com a semelhança e os que a condenavam por uma suposta “forçação” de barra no timbre da voz. Talvez tentando fugir da imagem que haviam feito dela, Maria Rita foi mudando aos poucos seu modo de se relacionar com a música. Emagreceu, apostou num figurino que valorizasse suas curvas e lançou um disco de samba em 2007. Mas não é este trabalho que a cantora traz para Goiânia neste sábado (8/10), onde se apresenta no Sol Music Hall a partir das 21h30.
O limão
A turnê de “Samba Meu”, grandiosa, com cenário elaborado, troca de figurinos e oito músicos no palco, chegou ao fim em 2010. Acostumada à rotina intensa de shows, ao se deparar com o término de uma fase boa de sua vida, Maria Rita ficou muito triste com o encerramento que se aproximava. “A sensação de tristeza, de separação, foi inevitável. Me pegava chorosa antes mesmo dos quatro shows de encerramento que fiz. Sem nenhuma vontade de entrar em estúdio para um novo projeto, antecipei um certo sofrimento”, contou a artista na carta de apresentação do último disco, Elo, lançado neste ano.
Um pouco deprê, a filha de Elis com o arranjador, pianista e compositor César Camargo Mariano, presenteou-se com férias de seis meses. O descanso nunca saiu do papel. Logo nas primeiras semanas afastada do trabalho, durante uma reunião de rotina, sua equipe sugeriu uma mini-turnê na Europa. “Aceitei o convite, entendendo a oportunidade de me desligar do show ‘Samba Meu'”, disse. Prezando pela liberdade de repertório que tinha no início da carreira, a paulistana montou uma setlist com canções que há muito não cantava, algumas que vivia cantarolando pela casa, outras inéditas e encomendas de amigos. Juntou as malas e partiu.
A limonada
Depois de rodar a Europa, Maria Rita resolveu também oferecer o show, que não tinha nem nome e nem cenário, a uma casa noturna de São Paulo, com capacidade máxima para 200 pessoas. “Eu fazia questão que fosse pequena mesmo para não criar quaisquer expectativas”. Ainda um pouco triste, a cantora assume o desânimo e a indecisão profissional daquela fase pós-Samba Meu: “Eu não conseguia pensar em outro disco”, declarou.
Mas a vida é cheia de surpresas, não é mesmo? O que era para ser apenas quatro apresentações na capital paulista, aumentou para oito e, depois, dezesseis. O que era para ser algo passageiro estendeu-se para quatro meses de shows em São Paulo e despertou o interesse do público de outros Estados brasileiros, que ficaram ansiosos para também ver a turnê que tanto estava agradando os fãs. O resultado: mais de um ano e meio rodando o País, para a surpresa da artista, com o espetáculo simples, porém verdadeiro.
Novo disco
Sentindo a satisfação do público com o trabalho, Maria Rita finalmente se reanimou e botou um fim no sofrimento que já estava durando demais. “A gravadora me pediu um disco, e eu, que vinha há algum tempo ouvindo do público o pedido de um registro desse show sem nome, achei que seria o mais honesto, naquele contexto, fazê-lo, ao invés de inventar um outro projeto”, relata. “Elo” é um disco é um agradecimento concreto da cantora aos fãs, que fizeram de uma simples turnê uma aventura musical para ela.
Além das faixas dos shows, Maria Rita achou por bem acrescentar mais três músicas que ela havia feito no programa “Som e Areia”, de Davi Moraes: “Pra Matar meu Coração”, “Coração a Batucar” e “Menino do Rio”. A cantora entendeu que o convite feito por Davi fazia parte daquele momento de desafios pessoais no campo profissional e não quis deixá-lo de fora. Prisioneira de sua timidez exagerada, a artista assina sozinha, pela promeira vez, a produção de um disco. “Sou sempre muito envolvida no processo [de produção]. Não consigo aceitar a ideia de alguém me dizer como e o que cantar. Sou intérprete e o que canto vem dessa característica”, finaliza.
Serviço
Show – Maria Rita – Elo
Data: 8/10, sábado
Local: Sol Music Hall (Clube Jaó)
Horário: 21h30
Ingressos: Variam de R$ 80 a R$ 600, dependendo da área (preços inteiros)
Pontos de venda: Sol Music Hall, Rival Calçados, Trupe do Açaí, Iwana Menezes, Bueno’s Restaurante (Buena Vista Shopping)