Goiânia – Vira e mexe, quando alguém descobre que sou jornalista e envolvido com área cultural, me perguntam a razão pela qual “Goiânia não tem nada para fazer”. Respiro fundo, conto até o infinito, peço aos deuses paciência, serenidade e dou a resposta padrão: “eu discordo de você”.
Somente alguém muito, mas muito mesmo, por fora para dizer uma sandice desse porte. A real é que para fazer tudo que a cidade oferece é preciso muito tempo livre. E grana farta. Esses são os dois maiores impeditivos de aproveitar toda a agenda cultural e oferta gastronômica que Goiânia atualmente tem.
Depois que apresento a fala nesse teor, a resposta invariavelmente questiona a falta de divulgação dos mesmos. Novamente, outra profunda respirada, prece para que a bondade com o ser humano de Madre Teresa de Calcutá se materialize em meu ser e coloco: “será que você está olhando nos lugares certos?”.
Basta olhar a imprensa local, dar uma circulada pelas redes sociais que as coisas pulam em sua cara. Não é um trabalho tão pesado assim. Basta a mínima iniciativa.
Certa vez, quando eu ainda trabalhava com produção na Fósforo Cultural e organizava, dentre vários outros, o festival de música alternativa Vaca Amarela, participei de uma palestra para o curso de Eventos da então Universidade Católica de Goiás. Na hora das perguntas, um aluno me questionou isso, da falta de divulgação dos eventos alternativos em Goiânia.
Comecei a listar: “para o Vaca Amarela, pintamos não sei quantos muros na cidade, distribuímos tantos mil panfletos em tal e tal e tal pontos, imprimimos não sei quantos cartazes colados em vários locais de Goiânia, nossa comunidade no Orkut (sim, ele ainda existia e era relevante) está com não sei quantos membros, colocamos tantas inserções na Rádio Interativa que é líder do segmento jovem, fomos capa dos três cadernos de cultura dos jornais diários da cidade como todos os anos. Bem, fora isso tudo, não sei mais o que fazer para divulgar melhor o evento”. A turma inteira caiu na risada.
Tenho uma tese de que a publicidade só atinge quem lhe é disposto. Por exemplo: o gigante Villa Mix acontece e eu normalmente fico sabendo só depois que ele ocorreu, nas matérias jornalísticas. Podemos ter mil críticas ao evento sertanejo, mas não que não tenha uma boa divulgação. O problema está comigo. Essa informação não me atinge pois não sou afeito ao produto em questão. Seria como comercial oferecendo absorvente para mim. Não vai me atingir.
Antes de reclamar do tédio em Goiânia, tente ampliar o olhar e procurar um pouquinho mais. As opções são fartas e para todos os gostos. Música boa e ruim grátis, barata e cara, filmes variados na cidade inteira, restaurante para todos os gostos e bolsos, bares em cada esquina para os mais variados públicos, teatro de medalhões globais e autoral local e por aí vai.
O problema não está na cidade, está em você que fala sem procurar.