Goiânia – Estou com meu ingresso e de minha mulher para o show do Elton John há mais de mês no bolso. Fui ao estande do Flamboyant e comprei duas inteiras (sabe como é, sou trouxa e não tenho carteirinha de estudante falsificada). Não fiquei puto com a notícia de que aos 40 minutos do segundo tempo eles entraram em sites de compra coletiva da cidade. Mesmo perdendo dinheiro, fiquei triste.
Era suspeitável que a mudança do local do show do Serra Dourada para o Goiânia Arena tinha razão econômica. Já indicava que algo ia mal com as vendas antecipadas. O desespero foi confirmado com a oferta das entradas em tais sites. Se tudo tivesse seguido dentro do que a produção do evento pensou, os ingressos agora estariam somente nas mãos dos cambistas e não da compra coletiva.
Isso é claramente uma tentativa de minimizar o prejuízo. Além de não ter o constrangimento de ver Elton John tocando para um ginásio com um terço ou um quarto de sua capacidade preenchido. Vai que os dedos ainda são salvos, tendo em vista que os anéis já se foram há tempos.
Essa é uma péssima notícia para quem torce para que os grandes shows internacionais sejam rotineiros em Goiânia. Mostra que nosso mercado ainda não tem caixa para algo de tal porte. Mesmo com a farta agenda cultural, em geral os preços cobrados são mais acessíveis. Parece que o valor do cobrado pelo ingresso para shows gigantes ainda assusta o goianiense.
Tenho consciência que pagamos um dos ingressos mais caros do mundo. Vários fatores explicam isso: a enxurrada de carteirinhas de estudante falsificadas na praça, a demanda reprimida de shows internacionais no Brasil profundo, a logística complicada para estabelecer rotas de turnês que barateiem o custo final… Talvez realmente não seja o perfil de Goiânia ser palco para esse tipo de atração.
O show de Paul McCartney no Serra Dourada tinha tudo para ser o início de um processo que transformasse em rotina a apresentação dos grandes nomes por aqui. Elton John seria a segunda experiência, uma continuidade. E deu com os burros n’água.
É preciso lembrar que Paul não conseguiu esgotar as entradas, mesmo atraindo o público regional que circunda Goiânia em um raio de até uns 400 quilômetros, imagino. Além disso, Paul nunca tocou em Brasília, o que também fez com que esse público estivesse no Serra Dourada (Elton John já esteve na capital nacional). Por fim, é inegável que o apelo de Paul é bem maior que o de Elton.
Acredito que passaremos um bom período sem esses figurões da música mundial em Goiânia. Depois do provável prejuízo do show do Elton John, o mercado ficará ressabiado para novas tentativas. Justo. E nós continuamos a procurar promoção nas passagens para São Paulo ou Rio de Janeiro quando queremos ver algum mega show. Ou a boa e velha BR-060 rumo à Brasília.