Goiânia – Desde que comecei a mapear onde vão as horas de meu dia, fiquei abismado com nossa capacidade de desperdiçar preciosos minutos com tudo quanto é tipo de bobagem. Nossa vida vai embora sem nos atentarmos no quão inútil está sendo nossa efêmera estadia na Terra. Estou tentando me policiar, mas não é tarefa fácil: vencer a tentação de não gastar tempo com futilidades mil é desafio para heróis. Posição que, naturalmente, estou longe de ocupar.
Os maiores ladrões de tempo da atualidade são as redes sociais, em especial o Facebook. Quando vamos passando a página e vendo o que os outros postam (na imensa maioria dos casos, groselhas), nossa vida vai embora enquanto a barra de rolagem desce. Uma coisa puxa a outra. Você vai descendo, vê um texto engraçadinho que lhe toma cinco minutos, clica em um vídeo que lhe rouba mais oito minutos, comenta uma foto piada curta de uma amiga e lá se vão mais dois minutos, entra no perfil de uma bonitona para olhar as fotos que lhe encantam por dez minutos… No final das contas, o relógio já marcou duas horas irrecuperáveis de sua existência.
Perder tempo no trânsito é o que mais causa revolta. Ver sua vida passar dentro de um ônibus sem a menor condição de carregar seres humanos é deprimente. Ver sua vida passar dentro de um carro esperando o congestionamento monstro desenrolar é triste. Enquanto não dermos mais fluidez ao transporte coletivo o deixando confortável, pontual e extremamente barato, vamos deixar nossa vida passar enquanto esperamos o sinaleiro ficar verde.
A televisão também é um especialista em roubar nosso tempo. Se sentamos no sofá para dar uma descansada com o controle remoto em mãos, saiba que um bom tempo ficará por ali. Na zapeada, vemos uns minutos de cada canal, não assistimos nada na íntegra e lá está o relógio rodando em sua disciplina militar, mostrando o quão desorganizado você é.
Tem coisas que diretamente dependem de nós para fazer o dia render mais (groselhas de internet e televisão), outras dependem de forma indireta (eleger gente compromissada para resolver de uma vez por todas o fiasco do transporte coletivo). O que mais me incomoda é ter a música do Lulu Santos martelando minha cabeça quando vejo que estou jogando meu tempo no lixo: “Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos”. Quando me lembro dessa estrofe, fecho o Facebook na hora que a vida está ali me esperando. E não sei até quando.