Larissa Lessa
Quem gosta de um bom vinho percebeu, nos últimos meses, que a bebida está mais cara em Goiás. É o que mostra uma estimativa da Federação do Comércio do Estado de Goiás, que aponta aumento de 30% no preço final das garrafas no estado. Isso porque o Governo de Goiás aderiu, em junho, ao regime de substituição tributária para bebidas quentes, entre elas o vinho.
O gerente de substituição tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, Wayser Luiz Pereira, explica que ocorreu uma antecipação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O tributo agora é recolhido na origem, ou seja, quem paga o ICMS é a indústria ou o distribuidor, e não quem vende diretamente para o consumidor final. O objetivo, de acordo com o gerente de substituição tributária, é facilitar a fiscalização e evitar a sonegação de impostos.
A mudança afeta, principalmente, quem aderiu ao Simples Nacional, programa que oferece benefícios tributários para pequenos empresários. “Grande parte das empresas que comercializam bebidas quentes estão inseridas no Simples. A elevação da carga tributária reflete diretamente na competitividade dessas empresas”, afirmou o presidente da Fecomércio. Segundo ele, o ICMS para empresas que aderiram em Simples estava embutido em uma alíquota única. O imposto, que representava 3% do valor final do produto, hoje chega aos 30% do preço de venda do vinho.
É o que atesta Nelson Alasmar, proprietário da Casa Ouro, a primeira distribuidora de vinhos importados de Goiânia. Há 27 anos no negócio, Nelson estima que o aumento dos preços provocou queda de 20% a 30% no movimento de vendas. “O cliente acaba comprando em Brasília, que fica aqui do lado e não foi afetada pela medida. Nós perdemos e o Estado também perde, porque deixa de arrecadar”, declarou Nelson.
Clientes
O cirurgião dentista Miguel Sebastião de Deus Júnior costuma comprar de 10 a 15 garrafas de vinho por mês. O aumento dos preços, segundo ele, vai frear os gastos com a bebida. Miguel, que faz parte da Academia Goiana do Vinho, deve procurar outras alternativas de compra. “Encomendo pela internet e também compro em outros estados quando viajo. Muitos amigos também já me falaram sobre comprar em Brasília. No final das contas, é muito ruim para o Estado”, afirma. Com o aumento dos preços, a dica do ambientalista Antônio Zayek é pesquisar. “Meus amigos costumam comentar quando tem uma promoção boa, então vou comprando aos poucos”, diz.
Mas, para Nelson Alasmar, a mudança dos preços não deve causar reflexos a longo prazo. “Com o tempo, as pessoas entendem e vão continuar tomando seu bom vinho”, diz. É o que também espera Antônio Zayek. “O custo-benefício do vinho é muito bom e por isso vou continuar comprando, independente dessa alteração nos preços”, declara.
Aumento de preço provoca queda nas vendas de vinho
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