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Londres para amigos – Parte 3

28.05.2014 - 00:00:00
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(Foto: acervo de família)

Deixei a parte mais divertida de Londres para o final: os melhores pubs, restaurantes e casas noturnas na minha opinião. E como viagem aumenta nosso espírito consumista, também vou indicar algumas lojinhas que valem uma visita. Vou precisar de terapia depois dessa maratona inglesa: meu coração ficou machucado de tanta saudade.

Pubs!
Localizado bem no centrão da cidade, entre a Piccadilly Circus (a Times Square londrina) e Leicester Square (região dos teatros de musicais), o Waxy O’Connor’s (14-16 Rupert Street) é legal por várias razões: ele foi construído no subsolo de uma antiga igreja, então preserva alguns itens de decoração religiosa, como um confessionário logo na entrada; ele é imenso, mas a arquitetura rústica, o revestimento de madeira e os diversos ambientes (mais parece um labirinto!) fazem ele ficar super aconchegante; esse pub é o point quando o assunto é happy hour para os ingleses. A partir das 17 horas as pessoas começam a chegar e, se você demorar muito, fica sem mesa. Vá um pouco antes para reservar o seu lugar, mas não muito antes para poder pegar a movimentação que é bem típica dos nativos (e em Londres, nada é mais difícil do que encontrar um inglês de verdade! Mais um motivo para ir a esse pub).

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(Foto: acervo de família)

A rede de pubs Nicholson’s criou para os clientes uma brincadeira que eles chamam de Ale Trail (algo como “trilha da cerveja”). Como são muitos pubs da rede espalhados pela cidade, cada um com um nome e decoração próprios, a empresa separou todos eles em regiões distintas e traçou um caminho a ser percorrido para visitar cada um deles. Independente de qual você vá, sempre haverá um folder no balcão com o mapa das trilhas. Em Londres são seis diferentes, mas minhas preferidas são Soho and Oxford St. e Historic Blackfriars: a primeira por ser em uma região boêmia, a segunda por ser no centro antigo da cidade (dá para casar essa trilha com o passeio aos arredores da St. Paul). Para começar, sugiro o Dog and Duck (18 Bateman Street) da trilha do Soho: é bem tradicional, existe desde 1734 e teve entre seus clientes fiéis George Orwell.

Para os lados de Notting Hill, há o Churchill Arms (119 Kensington Church Street), um pub bem peculiar, cheio de bugigangas penduradas nas paredes e tetos, com um restaurante tailandês sensacional nos fundos. Dizem que foi lá que Winston Churchill escreveu os discursos dele durante a Segunda Guerra.

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(Foto: acervo de família)

Apesar de já ter uma Brew Dog em São Paulo, acho válido visitar o pub de Camden Town (113 Bayham Street), até porque o preço, mesmo em libras, nem se compara com a versão brasileira. E já que você vai estar no norte da cidade, recomendo andar mais um pouquinho para sacar o meu pub preferido de todos: Southampton Arms (139 Highgate Road). Localizado em uma região menos turística, apesar de colada em Camden, o pub só vende cervejas artesanais e independentes, produzidas em Londres, e há um rodízio de rótulos, assim você sempre experimenta coisa nova. Por ser frequentado mais pelos moradores da região, o clima é bem intimista: só toca vinil; tem um piano no canto que qualquer um pode se arriscar (inclusive, há uma Piano Night, se eu não me engando, às quintas-feiras); Fred, o cachorro dos donos, passeia livre e solto pelo lugar, assim como os gatos que não se importam com o movimento. A decoração é simples, mas o clima é o melhor de todos.

Restaurantes
Como eu já disse antes, os ingleses não comem bem, mas isso não impede que a cidade tenha mil e uma opções de restaurantes, de mil e duas nacionalidades diferentes. Dá para encontrar de tudo: comida vietnamita, coreana, etiópia, marroquina, indiana, árabe, grega… Os preços também variam muito e é possível encontrar opções acessíveis ao bom senso da classe média. O Get the Focaccia (7 Crown Passage) é um ótimo exemplo. Localizado próximo a Trafalgar Square, em um bequinho escondido e super charmoso, o restaurante italiano é uma espécie de fast food artesanal italiano. Isso é possível? Sim! Todos os dias eles fazem um sabor de risotto, uma massa, uma salada e várias focaccias. Assim há as opções do dia para o cliente escolher, cada uma mais deliciosa que a outra.

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(Foto: acervo de família)

Bill Wyman’s Sticky Fingers (1ª Phillimore Gardens) é um pouco mais caro, mas mesmo assim vale a pena, já que o dono era baixista dos Rolling Stones. A decoração é sensacional, cheia de pôsteres de turnês antigas da banda, discos de ouro, instrumentos… E a música ambiente, então, não precisa nem falar. O carro chefe do restaurante é o hamburguer. Se jogue sem culpa!

Para experimentar a “picância” da culinária asiática, a rede Wagamama é uma ótima opção. Com o cardápio cheio de currys e noodles, é difícil decidir o que pedir e tudo é delicioso. Não vou colocar nenhum endereço específico porque há várias unidades espalhadas pela cidade e com certeza uma vai pintar no caminho. Outra opção oriental é o Pinapple (51 Leverton Street), que também é um pub e fica na mesma região residencial do Southampton Arms. E falando em restaurante-bar, o Cubana (48 Lower Marsh) é bem divertido: com decoração latina colorida, o menu é cheio de comidas que servem tanto como refeição quanto como petiscos, boa opção especialmente se você vai no happy hour, quando tem dobradinha de mojitos!

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(Foto: acervo de família)

Lojas de discos
Na mesma rua do Cubana, a Gramex (25 Lower Marsh) marcou minha memória pela quantidade de discos de jazz e pela reunião de senhores que se encontram frequentemente na loja para ouvir discos e discutir música. Agora se o assunto é rock, nada melhor que a Rough Trade, que já falei na coluna anterior, e a Sister Ray (34 Berwick Street), que até aparece na capa do (What’s the story) Morning Glory?, do Oasis. E claro, em Camden há várias lojinhas cheias de tesouros escondidos esperando para ser garimpados.

Para sacar algum show
Sempre que vou para Londres, faço uma pesquisa de shows que estão rolando na cidade (e sempre está rolando coisa muito boa!). Por isso recomendo checar a programação das seguintes casas: The Shacklewell ArmsKOKOElectric BallroomElectric Brixton e 12 Club. Também faço uma pesquisa no Eventfull, site que divulga desde um showzinho pequeno a apresentações main stream.

Dica esperta
Para quem gosta de ser Amélia e comprar coisas para a casa, não há nada melhor que a Ikea– NADA melhor. Você consegue comprar jogos inteiros de talheres por seis libras e mesas de centro por dez libras. Pensa na Tok Stok, só que com preço de camelô. É a Ikea! O único problema é que é longe, mas pode ser uma experiência legal, de pegar ônibus para periferia e tal. Se tiver tempo suficiente, super recomendo. Praticamente todos os acessórios de cozinha da minha casa são de lá. E para quem gosta de livros, não deixe de passar na Waterstones de Piccadilly, a maior livraria da Europa. São cinco andares repletos de obras de todos os assuntos imagináveis. Gosto de comprar os de arte para embelezar a minha estante!

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(Foto: Raisa Ramos)

Além de todas essas dicas, é sempre bom ler outras sugestões de diferentes fontes quando se planeja uma viagem. A coleção da PubliFolha Seu Guia Passo a Passo é uma mão na roda. Tenho de Londres, Amsterdã e Buenos Aires, e todos me foram muito úteis. Pequeno, dá para levar na bolsa ou até mesmo no bolso do casaco. O grande lance é que ele é dividido por bairros, cada um com um mapa específico, sugestões de restaurantes, pubs, cafés, locais de compras e atrações turísticas. Uso ele muito quando estou andando em uma região que não conheço e de repente bate uma fome. Nada me agonia mais do que querer comer em algum lugar, mas não saber qual vale a pena e qual é roubada. Com esse guia, é só achar o bairro onde você está e ver as sugestões, que vão desde locais baratinhos a restaurantes requintados. Bom para ter na sua biblioteca pessoal.

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(Foto: Raisa Ramos)

Encerro aqui as dicas de Londres. Espero ter ajudado a clarear um pouco as dúvidas comuns que antecedem viagens tão carregadas de ansiedade. Cidades especiais como essa têm esse efeito sobre a gente, mas no fim tudo sai muito melhor do que esperamos. No mais, boa viagem!

  Leia este e outros textos sobre cidades, viagens, receitinhas e beleza também no blog Algum Lugar Etc.

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por Raisa Ramos

*Raisa Ramos é jornalista, autora do blog Algum Lugar Etc., apaixonada por cidades, viagens e fotografia

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