Para ler ouvindo:
Gal Costa | Me Recuso
Atrás da minha rua existe um lugar que nunca entendi direito o que é. Só sei que é grande (ocupa o quarteirão todo) e feio, com as calçadas todas quebradas e o muro encardido e sem graça. Há uns dias o cenário começou a mudar, para a minha alegria. Morbeck, Mateus Dutra e Wes (espero não ter esquecido alguém) fizeram um trabalho lindo, graffitando uma das paredes e dando vida para um lugar esteticamente abandonado. O resultado disso é, além da beleza, o resgate de percepções adormecidas. Quando eu passava na frente do lugar (na rua 142, setor marista, em frente ao Café Coreto) – e eu passo todos os dias -, seguia meu caminho como se não houvesse nada ali, mas a partir do momento que esses artistas se apropriaram daquela parede, não consigo passar e ignorar. Paro, contemplo, reflito. Porque graffiti, muito mais do que um trabalho artístico, exerce uma profunda função social, de colocar a arte na nossa vida, quer queira ou não, e nos fazer reparar lugares que passamos todos os dias sem dar muita moral.
Obrigada, Morbeck, Mateus e Wes por fazer do meu dia mais bonito. E obrigada a todos os outros artistas urbanos de Goiânia que fazem o mesmo, em diversos pontos da cidade. O trabalho é duro, mas nada passa despercebido.
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