Goiânia – Dia desses solicitei a segunda via do boleto de condomínio. A empresa administradora demonstrou uma agilidade digna de elogios: quando desliguei o telefone, o e-mail já havia chegado. Seria tudo muito fofo se a história terminasse aí.
Fiquei imaginando o que poderia ter resultado naquela reunião de equívocos de naturezas tão diferentes. Provavelmente o texto seja repassado a todos os funcionários como padrão, devendo ser reproduzido tal e qual. Um texto que aparenta ter sido escrito há uns quarenta anos, assinado com características de linguagem jovem de internet.
Então temos nesse singelo exemplo (e bem real) dois problemas da comunicação empresarial de hoje: o arcaísmo – uso de palavras e expressões que estão em desuso – e a informalidade excessiva, que vem da sensação de liberdade que a internet nos proporciona.
Ambos são prejudiciais e interferem na imagem da empresa.
Um texto rebuscado demais, cheio de não me toques, além de ser cansativo e, muitas vezes, chato, contraria as características essenciais da comunicação moderna: clareza, concisão, coerência, coesão e objetividade.
Ninguém tem tempo para se deleitar com correspondências imperiais. A paciência de quem recebe cem, duzentos e-mails por dia se esgota nas primeiras linhas. Por isso é que muitas “fórmulas de boa escrita” não são mais utilizadas. Ou não deveriam ser, já que o hábito perpetuado funciona como lei. E confunde-se bajulação com profissionalismo.
Explicar que o “venho por meio deste” não é mais recomendado desde a década de 80 causa espanto em muita gente, que se desespera e acha que nunca mais vai conseguir escrever um memorando.
Do outro lado, o da borboletinha, a falta de distinção entre a postura necessária a um profissional e o direito de brincar com a tecnologia abala a seriedade de qualquer documento.
Atenciosamente,