Raisa Ramos
Um filme goiano integra a mostra competitiva de um dos festivais de cinema mais importantes do País: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que chega a sua 35ª edição. “Cartas do Kuluene”, do cineasta Pedro Novaes, faz parte da seleção oficial e será exibido em cinco ocasiões no evento: nesta segunda-feira, às 21h30min, no Sabesp, e nas próximas terça, quarta, quinta e sexta-feira, em diferentes pontos da capital paulista.
“Essa é uma janela muito importante para o filme, para ele ter mais visibilidade. Participar de um festival desse é um começo muito bom”, diz Pedro, que já tem dois encontros marcados com distribuidoras de filme interessadas na produção goiana, em São Paulo.
“Cartas do Kuluene”, que foi lançado neste ano em uma sessão fechada para convidados e duas salas lotadas no Lumière Bougainville, junta documentário e ficção, mostrando conversas através de cartas entre três pessoas reais que viveram em diferentes épocas no Xingu. Os persongens são Buell Quain, um antropólogo americano, que estudou tribos indígenas brasileiras na década de 1930 e acabou se suicidando no meio do mato; o francês Paul Berthelot, que veio para o Brasil com o objetivo de fundar uma comunidade anarquista juntamente com os indígenas locais; e o próprio Pedro Novaes, que passou um tempo no Xingu, tentando reviver as experiências que seu pai, Washington Novaes, viveu quando gravou as séries “Xingu – A Terra Mágica” e “Xingu – A Terra Ameaçada”.
Antônio Zayek, ator que deu vida ao anarquista Paul Berthelot, está satisfeito por ver o filme na Mostra Internacional de São Paulo. “O Pedro se colocou dentro do filme. Ele mostra as coisas, o universo indígena, de forma atemporal e muito humana”, contou. Pedro Novaes chegou no último domingo (23/10) na cidade da garoa e está ansioso com a estreia da obra nas salas paulistanas, assim como o resto dos goianos, que gostam de ver produções daqui ganharem o mundo.
Após serem exibidos na 35ª Mostra, os filmes da competição Novos Diretores mais votados pelo público concorrem ao Troféu Bandeira Paulista, que será oferecido ao melhor filme escolhido por um júri internacional. Esse ano, o júri será composto pelo diretor canadense Atom Egoyan, o escritor francês Frédéric Boyer, o diretor africano Mahamat Saleh Haroun, a roteirista Elisabeth Perceval e o diretor e escritor brasileiro Jorge Furtado. O evento vai até o dia 3 de novembro. Dedos cruzados para Pedro Novaes e sua equipe.