Goiânia – O aparato de segurança pública de Goiás resolveu botar o bloco na rua para tentar reverter os péssimos números nos índices de criminalidade em nosso estado. Justo. A coisa está degringolando. Tentar novos caminhos é essencial no momento em que o que estávamos fazendo não é mais suficiente para as respostas que a sociedade precisa. Entre as novas abordagens divulgadas, estão o foco em motociclistas e uma ação mais efetiva nos 15 bairros de Goiânia que apresentam números mais preocupantes.
Gosto dessas medidas. Acho importante usar os dados estatísticos para aprimorar a ação efetiva de combate ao crime. Se os números mostram que o modus operandi predominante é em duas rodas, me parece evidente que a polícia deve abordar com maior intensidade os motociclistas. Se os dados da polícia civil revelam que em determinadas regiões da cidade acontece mais certo tipo de ação criminal, também me é óbvio que deve existir um zelo maior naquela área.
Até aí, tudo certo. Minha indagação é: precisa falar qual será a estratégia usada contra o crime? Precisa falar quais setores terão mais atenção da polícia? Hum… Não tenho certeza da resposta afirmativa nos dois casos. Acho que o fator surpresa é importante para pegar com a boca na botija quem quer fazer a coisa errada. Topar com o bandido de calça curta sempre é vantajoso para o policial, imagino.
Não entendo a razão de chamar a imprensa e colocar em tudo quanto é veículo de comunicação do estado como será que a coisa vai desenrolar.
Vi gente defendendo essa atitude. Disseram que isso seria importante para o fator subjetivo da coisa, o tal da sensação de segurança. Quando a população sabe que está rolando esse mutirão, ela naturalmente ficaria mais tranquila e, por conseguinte, melhoraria o humor geral da sociedade. Discordo.
Os números são a prova cabal de que não estamos falando de sensação de insegurança ou mau humor. O problema de fato não é esse. Quem entende dessa forma só pode estar cego para alguns dados. Os índices de violência em Goiás batem recordes atrás de recordes. A coisa está séria mesmo. Nesse sentido, acho que agir na surdina seria mais eficaz do que o estardalhaço midiático.
Culpam as drogas pelo avanço do crime. Acho uma resposta cômoda. Até parece que as drogas não estão em nossos países vizinhos da América do Sul como Argentina, Chile e Uruguai que têm números de violência infinitamente menores que os nossos. Por que o tráfico aqui mata e lá não mata? Deixo a resposta para os especialistas no assunto, gente que estuda isso a fundo.
Mas, mesmo discordando da estratégia de comunicação, torço para que a ação dê resultados e que vidas sejam poupadas como frutos desse trabalho.