O ministro dos esportes Orlando Silva (PC do B) segue questionado no comando de seu ministério. Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito por suposto desvio de dinheiro. Segundo o advogado de Silva, José Carlos de Almeida Castro, o próprio ministro é a favor da abertura do inquérito. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fez o requerimento na semana passada, mas só agora ele foi divulgado pela ministra Cármen Lúcia.
Duas semanas atrás, a revista Veja divulgou matéria em que colocava o ministro como líder de um esquema de desvio de recursos públicos do Segundo Tempo, programa social que visa incentivar os esportes entre crianças carentes. Na reportagem, quem faz a denúncia é o policial militar João Dias Ferreira, militante do Partido Comunista do Brasil. João e outras quatro pessoas foram presas no ano passado justamente sob essa acusação de desvios, que na época foi apelidada de Operação Shaolin, mas agora veio a público colocar, pela primeira vez, o nome do ministro como um dos suspeitos. Segundo o policial, as ONGs participantes do programa só recebiam os benefícios se pagassem uma taxa de até 20%. No espaço de oito anos, o esquema teria desviado até R$ 40 milhões.
Cármem Lúcia determinou o prazo de 10 dias para que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) enviem todas as informações coletadas quanto ao programa. Também o Ministério dos Esportes terá que apresentar todos os processos de convênio de ONGs com a pasta.