Logo

Baixa competitividade faz balança comercial voltar ao negativo

03.07.2014 - 11:44:37
WhatsAppFacebookLinkedInX
 
Brasília – Produtos importados dividindo cada vez mais espaço com as mercadorias nacionais nas prateleiras. Realidade nos primeiros anos após a criação do real, os resultados negativos na balança comercial (diferença entre exportações e importações) voltaram a se repetir nos últimos anos.

Segundo analistas de comércio exterior, as circunstâncias desta vez são diferentes. Na década de 90, as importações eram estimuladas pelo câmbio fixo para conter a inflação. Hoje, com o câmbio livre, os déficits estão relacionados ao custo Brasil e à perda de competitividade da indústria nacional.

 
Alguns anos antes de o real entrar em vigor, a balança comercial sustentava superávits expressivos. Medidas e estímulos governamentais ajudavam a manter os saldos positivos para equilibrar o balanço de pagamentos após o Brasil decretar a moratória da dívida externa. A abertura do mercado às importações, no início dos anos 90, e a circulação da nova moeda, no entanto, impactaram o saldo comercial. De superávit de US$ 10,47 bilhões em 1994, a balança passou para déficit de US$ 3,47 bilhões em 1995.
 

(Imagem: Agência Brasil)
 
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destaca que o aumento do consumo após o Plano Real também afetou a balança ao reforçar as importações. “Com o Plano Real, a demanda interna cresceu assustadoramente. O Brasil não tinha condições de atender. [Seria preciso] forte aumento da capacidade de produção. Enquanto não tinha, a alternativa era importar. Foi de 1994 a 1999, um período curto em termos de comércio”, diz.
 
“[A política] levava ao déficit, mas era entendido que não era um grande problema. O país estava mais estável, com políticas fiscais melhores”, lembra a economista Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Relações Econômicas (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com ela, a maior abertura às importações também ajudava a forçar uma queda de preços no mercado interno, controlando a inflação.
 
Com as crises da Ásia e da Rússia, em 1997 e 1998, o cenário internacional mudou. A queda no preço das commodities – bens primários com cotação internacional – e a dificuldade de captar dólares dificultaram a manutenção do real valorizado. O governo abandonou o sistema de banda cambial e passou ao de câmbio flutuante, em janeiro de 1999. A desvalorização favoreceu as exportações.
 
“Em dezembro de 1998, todos reclamavam que [o real] estava muito valorizado. Era difícil exportar manufaturados. As commodities não tinham espaço [na época]. Ao mesmo tempo, começavam a aparecer as crises internacionais. As cotações não subiam, a demanda internacional estava contida, e o Brasil não conseguia expandir as exportações para reverter o déficit”, recorda o presidente da AEB.
 
A partir de 2001, a balança comercial reverteu os resultados negativos, tanto por causa do câmbio favorável como pela explosão nos preços das commodities, que atingiram níveis inéditos. A configuração internacional tinha uma novidade: a ascensão da China como grande mercado consumidor e exportador mundial. A balança acumulou saldos positivos na casa dos dois dígitos, com o ápice em 2006, quando o superávit chegou a US$ 46,4 bilhões.
 
Para Castro, a fase exportadora de commodities trouxe pontos positivos. “Houve interiorização do crescimento, mais salário, mais distribuição de lucros”, enumera. Ele critica, no entanto, a falta de reformas necessárias para diminuir o custo da produção e aumentar a competitividade dos produtos manufaturados em meio à queda no preço das commodities. Tal cenário, avalia, acarretou a volta dos déficits comerciais. Nos seis primeiros meses deste ano, a balança acumula resultado negativo de US$ 2,49 bilhões.
 
Segundo o presidente da AEB, no entanto, o país não pode depender das oscilações nas commodities. “O próprio FMI [Fundo Monetário Internacional] diz que o Brasil precisa de reformas. As commodities tiveram uma década de ouro, mas estão em queda. Se o crescimento da China diminuir, esse ajuste será mais forte ainda. Se não houver reformas, o Brasil pagará um preço alto. O real está valorizado e o custo Brasil subiu muito”, declara.
 
Para Lia Valls, o real cumpriu o papel de estabilização e fez uma passagem relativamente tranquila para o modelo de câmbio flutuante. Ela, no entanto, destaca a necessidade de maior compromisso com a política fiscal e com o controle da inflação nos tempos atuais.
 
“Foi correta a forma que a gente conseguiu quebrar a inflação. O país saiu da banda cambial e passou para o regime de metas. Mas [há] um déficit de transações correntes relativamente elevado. É necessário rever a política, ter maior compromisso com a responsabilidade fiscal e sinalizar um compromisso mais claro com as metas de inflação, pois a gente tem batido o teto da meta”, comenta a economista da FGV. (Agência Brasil)
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Postagens Relacionadas
negócios
27.02.2026
Unimed Goiânia transforma corretora própria em pilar estratégico da gestão comercial

A Redação Goiânia – Com objetivo de alinhar crescimento, qualidade e sustentabilidade em um único modelo de gestão, a Unimed Goiânia transformou sua corretora própria em um dos principais ativos estratégicos da cooperativa. O resultado, segundo a empresa foi um modelo de venda personalizada e segura, orientado à ampliação do número de beneficiários e à garantia de […]

Economia
27.02.2026
Agronegócio goiano conecta produção à sustentabilidade e assegura economia pujante ao Brasil

Ludymila Siqueira Goiânia – Em uma viagem no tempo, quando se falava em passar um fim de semana na roça, era automaticamente lido como se desligar da cidade grande e viver a calmaria da natureza, dos animais, da vida pacata. As músicas estavam somente no rádio. Sinal de celular? Era para poucos. O acesso à […]

ECONOMIA
26.02.2026
Concred reforça importância do cooperativismo de crédito goiano

A Redação Goiânia – A realização em Goiânia do Concred, maior congresso de cooperativismo de crédito do mundo, de 26 a 28 de agosto deste ano, no Centro de Convenções da PUC, consolida a força do setor em Goiás. O lançamento da 16º edição do evento, realizado nesta quinta-feira (26/2), na sede do Sistema OCB/GO, reuniu […]

Negócios
25.02.2026
Mabel destaca ambiente de negócios e empreendedorismo durante Caravana Sudeco em Goiânia

A Redação Goiânia – O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, participou da Caravana Sudeco Goiânia 2026, no Jardim Guanabara, nesta quarta-feira (25/2). Durante o evento, ele destacou o ambiente de negócios no bairro, além de celebrar o empreendedorismo na capital. “Nós fizemos um grande esforço para que este evento viesse para a região e oferecer […]

Negócios
24.02.2026
CNI reúne lideranças e estabelece prioridades da indústria no Congresso para 2026

A Redação Goiânia – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, participou da 1ª Reunião da Diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta terça-feira (24/2), em Brasília. O encontro abriu o calendário institucional de 2026 e reuniu dirigentes industriais para definir a agenda legislativa prioritária do setor no […]

Negócios
21.02.2026
Equiplex comemora 40 anos em nova fase de transformação estratégica

A Redação Goiânia – A EQUIPLEX Indústria Farmacêutica completa 40 anos de uma trajetória marcada por expansão e crescimento contínuos, investimentos industriais e em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I), neste sábado (21/2). Com essa estratégia, a empresa goiana destacou-se como protagonista no mercado nacional de medicamentos injetáveis. Fundada em Goiânia e hoje sediada em Aparecida […]

Economia
21.02.2026
Caravana Sudeco oferta serviços, crédito e orienta empreendedores em Goiânia

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Goiânia realiza na próxima quarta-feira (25/2) a Caravana Sudeco Goiânia 2026, com oferta de serviços públicos, acesso a crédito, capacitação e orientação técnica para empreendedores e para a população em geral. A ação ocorre das 9h às 17h, no Galpão Multiuso do Jardim Guanabara. O evento é promovido em […]

Negócios
20.02.2026
Goiás é escolhido para receber modelo nacional de incubação de startups

A Redação Goiânia – O estado de Goiás passa a integrar oficialmente a estratégia de expansão da Rede MIDIHUB, modelo nacional de incubação de startups criado em Santa Catarina e reconhecido como um dos mais estruturados do país. A operação no estado será conduzida pelo HUB Cerrado, em Goiânia, que passa a integrar a rede […]