Em audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do
Senado, o repórter da rede britânica BBC, Andrew Jennings, reafirmou
nesta quarta-feira as suas acusações de que o presidente da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da
Fifa João Havelange receberam propinas para assinaturas de contrato da
entidade máxima do futebol mundial com a ISL, uma das maiores agências
de marketing esportivo do mundo. Segundo o jornalista, ambos confessaram
à Justiça suíça o recebimento e fizeram um acordo para devolver parte
do dinheiro e pagar uma multa que foi destinada a uma instituição de
caridade.
De acordo com o relato do jornalista, Ricardo Teixeira teria recebido
US$ 9,5 milhões em propinas por meio de uma empresa de fachada de
Lichenstein, chamada Sanud. Jennings chegou ao valor por meio de um
cruzamento de dados da CPI do Futebol de 2001 que teria mostrado o
cartola recebendo dinheiro desta empresa e de uma lista atribuída à ISL,
na qual haveria repasse de propina para a mesma Sanud. O senador Álvaro
Dias (PSDB-PR), que presidiu a investigação de 2001, afirmou que a
suspeita é que a empresa Sanud pode ter sido usada para lavar dinheiro
de Teixeira.
O repórter da BBC acusa também João Havelange. Segundo ele, um repasse
de cerca de US$ 1 milhão de propina foi feito de forma errada pela ISL
para a conta da Fifa e não do dirigente. O presidente da Fifa, Joseph
Blatter, foi avisado e teria repassado o dinheiro a Havelange. Jennings
especula que os repasses totais a Havelange podem ter chegado a US$ 50
milhões.
Jennings cobra da Fifa a divulgação do acordo fechado pelos dirigentes
com a Justiça suíça, que está protegido sobre sigilo. Ele classificou
como mentira a promessa do presidente da Fifa de que vai divulgar o
documento a partir de dezembro. Para o jornalista, isso não ocorrerá
porque Blatter admite no processo saber do pagamento de propina e isso
inviabilizaria sua permanência no comando da entidade máxima do futebol.
O jornalista afirma ainda que um depoimento de um diretor da ISL neste
processo confessa o pagamento de US$ 100 milhões a dirigentes da Fifa.
Antes da audiência desta quarta-feira, um oficial de justiça tentou
intimar Jennings a comparecer a uma audiência em janeiro em um processo
movido por Ricardo Teixeira contra ele. O repórter se recusou a aceitar a
intimação. Na audiência, disse estar à disposição da Polícia Federal,
que realiza investigação contra o presidente da CBF.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu que as informações levantadas na
reunião sejam encaminhadas à presidente Dilma Rousseff. O presidente da
Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Roberto Requião
(PMDB-PR), disse que fará isso ainda nesta quarta. Jennings fez uma
recomendação para o Brasil em relação à Copa. “Vocês não podem
interferir na CBF, mas, a favor do interesse do seu país, vocês precisam
tirar essas pessoas e colocar homens e mulheres limpas para organizar a
Copa”, afirmou.
(Agência Estado)