Lis Lemos
A luta contra a dengue pode ganhar mais um aliado, ainda que demore alguns anos. A vacina contra a doença está sendo testada desde os anos 1990, mas segundo o diretor de pesquisa do laboratório Sinofi Pasteur, Pedro Garbes, para ser comercializada ainda deve demorar alguns anos. Para ele, a maior preocupação é averiguar a segurança da vacina e que o compromisso é que as pessoas de países com casos endêmicos de dengue sejam as primeiras a ter acesso, mas não sabe precisar uma data.
Goiânia é uma das cinco capitais que participa de uma pesquisa sobre a vacina, que ainda tem Campo Grande, Fortaleza, Natal e Vitória. O médico informa que a pesquisa dura cinco anos. No primeiro ano, os voluntários tomam a vacina, divididas em três doses de seis em seis meses. No outro ano é verificado a ocorrência de casos de dengue e por mais três anos essas pessoas serão acompanhadas pelos pesquisadores. Esse estudo deve terminar em 2015..
Um dos motivos para a capital goiana ter sido escolhida, de acordo com pedro Garbes, é que a cidade reúne “aspectos importantes, como o corpo técnico da Universidade altamente capacitado, infra-estrutura apropriada, contexto da epidemiologia de dengue também apropriada”. Só esse ano, Goiânia teve 13.517 casos confirmados até o fim da primeira quinzena de outubro.
Os resultados só poderão ser medidos em 2014, segundo o diretor. A pesquisa é feita com 70 crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 16 anos. A escolha dessas pessoas é explicada pelo fato da maior incidência dos casos se dar, principalmente, nessa faixa etária. O diretor afirma que até o momento a única coisa que pode afirmar sobre a vacina que está sendo testada é que ela é segura. Segundo ele, não foi constatdo nenhum efeito colateral. “Até agora não tivemos relatos de efeitos colaterais muito distintas entre um grupo e outro”, garante, afirmando que ele não sabe quem está tomando a vacina e quem recebe soro fisiológico.
O diretor alerta que a vacina é apenas um instrumento no combate a dengue. “A vacina é mais uma ferramenta. Ela não é a ferramenta necessária”, defende. As ações de prevenção são muito importantes e aqueles velhos cuidados de não deixar água parada são a maneira mais eficiente de erradicar a doença.
O médico Pedro Garbes participou de uma mesa redonda sobre dengue no 10º Seminário em patologia Tropical e Saúde Pública na Universidade Federal de Goiás.