Goiânia – Fiz um comentário sem maldade no facebook dias atrás, brincando com a singeleza de palavras de pessoas da minha própria família.
Citei expressões que ouvimos e falamos durante nossas vidas e que, em um certo momento, quando a verdade vem à tona, tornam-se engraçadas. Mas continuamos falamos porque é nosso costume, porque a oralidade permite alguns desvios e porque sim.
Algumas pessoas acrescentaram suas pérolas e vou juntá-las às minhas para rirmos juntos do nosso jeitinho de falar.
“Vou afogar o arroz.”
Refogar é que é dourar ou fritar ligeiramente algo em pouca gordura.
“Vou sapecar o polvilho.”
Escaldar é jogar algo fervente em cima. No caso do polvilho, talvez seja uma mistura de água, óleo e leite. (Eu não tenho a mínima ideia de como se faz um pão de queijo!)
“Matei dois coelhos com uma caixa d’água só.”
Gente, que maldade. Nesse caso pode-se dizer que você afogou os coelhos, mas não faz o menor sentido. O ditado é “matar dois coelhos com uma cajadada só”, que quer dizer resolver duas questões com apenas uma ação.
“Isso é uma faca de dois legumes.”
Uma vez cometi a gafe de rir quando alguém disse isso durante uma reunião séria. Eu pensei que a pessoa estivesse brincando. A expressão correta é “faca de dois gumes”. Gume é o lado cortante de uma faca. Então, quando a situação oferece riscos e vantagens, diz-se isso, e não que a faca serve para cortar cenoura e brócolis.
“Vou assustar o cheque.”
Se por algum motivo (lícito, de preferência) você precisa impedir que seu cheque seja compensado, você vai sustá-lo. Sustar é fazer parar, interromper.
“Ela é sua cara cuspida e escarrada.”
Dizer que o rebento é a cara do pai ou da mãe é muito gentil, mas seria bem melhor sem secreções. Que tal “ela é sua cara esculpida em Carrara”? Claro que muita gente não vai entender, mas essa expressão quer dizer que é uma cópia bem-feita, como as estátuas de mármore Carrara.
“Eu vi um vexame de abelhas.”
Sensacional, mas é enxame.
Melhor que isso é saber que aquela pessoa que diz que vai sungar a calça está certíssima. Suspender, puxar para cima. Podem sungar à vontade.
*Colaboradores desta coluna: José Almir de Andrade e Carlos Sena.