Todos os dias, as situações chatas nos cercam. Por mais que a gente tente fugir, não tem jeito: a chatice sempre nos abraça, com suas garras sujas e incômodas, nos trazendo enfado de montão. Seja aquela ligação em horário inconveniente ou o cara que insiste em trocar uma ideia enquanto você está na malhação. Seja aquele carente de atenção que pede para que você o siga no Twitter ou o pessoal que quer conversar enquanto você está almoçando. A chatice é onipresente.
Por isso é que precisamos ter armas para nos defender da inevitabilidade da chatice. Por exemplo, eu desenvolvi uma técnica de desligar o cérebro. Aprendi isso com os Simpsons. Não sei se a cena é exatamente essa ou se a fala está precisa (minha memória é uma beleza…), mas em uma circunstância dessas chatas, Homer pensa: “Vocês podem até ter meu corpo, mas não terão minha mente”. E começa a pensar em outra coisa completamente diferente enquanto o chato falava. Essa é a arte de desligar o cérebro.
Eu faço isso com uma frequência impressionante. Quando o chato me cerca, ele pode até ter meus ouvidos, mas a minha mente não é dele (obrigado, Homer!). Automaticamente começo a pensar em outras coisas até que a situação chata termine. Costumo repassar mentalmente a agenda, com o que tenho que fazer no restante do dia. Outra tática é pensar no que você precisa organizar para aquele churrasco de final de semana. Em situações extremas, vale apelar até para a letra completa de Faroeste Caboclo. Mas cuidado! Essa última alternativa é igual remédio tarja preta. Você só pode fazer uso de forma moderada e com muito zelo, pois é droga pesada.
Também desligo meu cérebro nos finais de semana e feriados. E sou mais cuidadoso para que a chatice não me cerque. Não abro meus e-mails no período de descanso, pois normalmente terá trabalho ali e final de semana não é para pensar em trabalho. Evito atender o telefone com números desconhecidos, pois na folga prefiro conversar com aqueles que gosto e, naturalmente, estão salvos nos contatos do meu celular. Pego leve também com as redes sociais, pois a chatice virtual pode ser tão nociva e perigosa quanto a presencial. Tudo isso em prol da minha sanidade. Quem não sabe preservar seus momentos de descanso do trabalho corre sério risco de morrer jovem. Prefiro ter uma expectativa de vida mais gorda.
A arte de desligar o cérebro também pode ser útil para manter seu relacionamento. Sabe quando ela insiste para que você faça companhia e ela está assistindo aquele seriadinho completamente imbecil? Pois é, essa é a hora certa de você desligar o cérebro e fazer a média com a patroa. Ou quando ela está reclamando da manicure que não acertou o tom do esmalte em suas unhas? Turn off your mind!
A arte de desligar o cérebro é tão importante que deveria ter um curso no ensino fundamental para educar as crianças desde cedo nessa relevante prática. Economizaríamos com a saúde pública e teríamos uma força de trabalho no Brasil mas tranquila e relaxada. Vou mobilizar uma campanha com fim público inestimável: Desligue seu cérebro e seja mais feliz!