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A arte do grafite em Goiânia

01.03.2018 - 09:57:33
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Goiânia – Afinal, o grafite é arte ou simplesmente pichação? Para responder a essa pergunta é melhor que voltemos um pouco na história para vermos como tudo começou. Vamos lá? 
 
Bom, as primeiras imagens do grafite foram encontradas em rochas, denominando, assim, arte rupestre, e também com inscritos em paredes no período do Império Romano. O nome 'grafite' tem como significado palavras feitas com carvão, pois era comum na sociedade romana escrever com carvão nas paredes de suas edificações como forma de protesto.
 
Podemos perceber, então, que o intuito de protestar ainda continua vivo com o grafite no decorrer dos tempos já que, quando tomou forma em Nova York, durante os anos 1970, servia como manifestação de jovens que viviam em comunidades marginalizadas.  Ainda nos anos 70, essa técnica foi trazida ao Brasil com inspiração nova iorquina. Posteriormente, na década de 80, teve sua inserção no movimento Hip Hop da cidade de São Paulo.
 
Mas, por que então o grafite e a pichação são amplamente confundidos? As duas pinturas são feitas com tintas de spray ou latas, possuem um caráter de protesto político e social. Pode-se dizer então que a diferença entre as nomenclaturas é que o grafite possui imagens mais trabalhadas; já as pichações são marcadas por rabiscos, garranchos com nomes de grupos específicos, nomes dos pichadores e, devido a isso, são tratadas como vandalismo.
 
Partindo desse ponto podemos inferir que o grafite é sim considerado uma arte urbana, inclusive amparado por uma Lei Federal, de 2011, desde que haja consentimento do proprietário e com objetivo de valorização do patrimônio público. Ou seja, diferentemente da pichação, que é proibida segundo a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, com pena de detenção de três meses a um ano e multa, pois esta tem como foco depredar, vandalizar locais públicos e privados.
 
Aqui em Goiânia essa arte teve seu início, no final dos anos 1980, representando na época a tragédia do Césio 137 nos muros da cidade. Hoje em dia o que se nota nas paredes da capital goiana são galerias de grafite a céu aberto, que vão desde o Setor Central aos bairros mais nobres da cidade, servindo não só para colorir a paisagem urbana tão desgastada pela poluição sonora, automobilística e visual, mas também, como apreciação, estúdios gratuitos para fotografias, filmagens e eventos ao ar livre. 
 
Então, notamos que felizmente essa street art aqui em Goiânia ainda não sofreu o efeito 'Cidade Linda', projeto do prefeito de São Paulo, João Dória, que no ano passado, em decisão polêmica, trocou os murais de grafite de vias importantes da capital paulista por tinta cinza. Espero que futuramente essa arte seja mais valorizada por meio de projetos educativos, a fim de formar novos artistas, com pinturas de mais telas em espaços públicos, e que vielas abandonadas sejam transformadas em novos museus de arte urbana.

*Natanael Dias é jornalista

 
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por Natanael Gonçalves Dias

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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