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A consciência dos ricos

25.03.2020 - 19:11:46
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Numa crise como a do coronavírus, que tem reflexos e dimensão ainda desconhecidos, cuja principal vertente é a da saúde e, na sequência a econômica, por conta de suas implicações sociais, espera-se que a união de esforços seja da magnitude que a realidade exige.
 
Atores políticos precisam esquecer suas divergências, para empreenderem o debate desprovido de belicismo inadequado ao momento. As instituições que representam o poder político, cada qual em suas funções, devem buscar a máxima agilidade, não se afastando em nenhum momento da democracia e do cumprimento do arcabouço legal. 
 
As pessoas mais que nunca devem exercer sua condição de cidadania, especialmente quando da necessidade de cumprirem premissas médicas e ordenamentos civis que prejudiquem os seus próprios interesses específicos, em prol da preservação do interesse geral. 
 
Nesse contexto, devemos ressaltar o grande papel que cabe aos mais aquinhoados. Esses têm um compromisso maior, seja na função empresarial ou social. O Brasil precisa, mais que nunca, que os ricos tenham consciência social, em momento tão ímpar. 
As empresas, em muitos segmentos, terão dificuldades e isso terá que ser socorrido pelo Estado, visando principalmente à preservação de empregos, mas isso deve ser feito na medida da necessidade real, pela leitura abrangente do real impacto. Não pode servir de premissa para que joguem todo o ônus da crise no colo do Estado. 
 
Aquelas que forem menos impactadas, em razão de suas atividades, devem se manter fielmente adimplentes com o Estado, para que este tenha a melhor condição possível de socorrer quem de fato precise, tanto nos serviços médicos, quanto no socorro social e econômico. 
 
Os bancos, públicos e privados, precisam revisar drasticamente suas margens e alargar prazos, com vistas a preservar o volume de tomadores de crédito nos tempos vindouros. 
 
As pessoas, físicas e jurídicas, que disponham de largas reservas, precisam socorrer, com recursos, mercadorias ou serviços, tanto o Estado como, de forma direta muitas vezes, os cidadãos que se virem em condições aviltantes. Apenas vendo as notícias recentes, já é possível observar iniciativas dessa ordem. Essas iniciativas precisam se avolumar. 
 
A paga por essas ações será o orgulho próprio de decência e de civilidade em prol do Brasil.
 

*José Carlos da Silva é auditor-fiscal da Receita Federal em Goiás

 
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por José Carlos Da Silva

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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