Goiânia – Estou aproveitando o finalzinho de minhas férias para tentar pegar um condicionamento físico um pouco melhor. Nada muito radical como vejo uns amigos fazendo e compartilhando nas redes sociais. Nada de pedalar até Palmas. Nada de atravessar nadando o Canal da Mancha. Nada de correr com a cara cheia de tinta mais que queniano.
Faço caminhada. Esporte de velho que sabe que é velho. Tenho 34 e não quero estourar meu outro joelho como fiz com o direito, quando me achei garotão e fui jogar bola com meus primos em um almoço de família. Ando em um ritmo bom. Ouvindo música no fone e monitorado pelo RunKeeper (excelente aplicativo que recomendo ao amigo leitor). Mas é difícil demais aumentar a dose.
O corpo sempre aponta uma dor quando você quer dar aquele passo adiante, puxar um pouco mais. Uma hora aparecem calos acima do calcanhar. Outra hora o músculo da panturrilha dá sinal de que não vai aguentar o tranco. Depois, uma dor mais chata de zumbido de muriçoca de madrugada aparece na sola do pé. Não há determinação que suporte tanto transtorno.
Agora compreendo o conceito de bichado, que pejorativamente a torcida adjetiva um jogador que não sai do departamento médico. Hoje sou solidários aos bichados. Você sara de uma coisa e aparece outra. Você cura a outra e surge mais uma que não deixa seu rendimento ir adiante. #somostodosbichados
É claro que o drama do atleta profissional é infinitamente maior. Enquanto eu só faço exercício para beber despreocupadamente e comer bobagem no final de semana sem peso na consciência, o cara depende daquilo para fechar as contas. A pressão é gigantesca em cima do profissional. Mas, mesmo que em proporções bem distintas, estou tendo essa experiência e é possível entender o drama do cara.
A impressão que tenho é que tudo conspira para sermos sedentários mesmo. O corpo reclama do esporte, a vontade é de ficar de boa sem fazer nada e as comidas mais chamativas são aquelas mais proibidas. Deus, por que tanto teste em cima de nós mortais??? Para quê precisamos ser tão estóicos???
Não tem quem nunca pensou em mandar tudo para o inferno e não fazer mais porcaria alguma de exercício. Mas o maldito superego está lá dentro, buzinando que você terá um enfarte, que seu colesterol está alto, que você tem risco de diabete.
No meu projeto verão para a vida toda seria só picanha mal passada e litros de tudo quanto é tipo de bebida alcoolica. Isso sim é férias, verão e diversão. Se pratico esporte, é só para poder fazer essas coisas que gosto por mais anos.
E lá vou eu entrar no Google e procurar dar um jeito nessas bolhas do meu pé para encarar mais uma hora e tanto de caminhada amanhã novamente.