Nenhum festival brasileiro tem o prestígio e consegue a atenção de todos quanto o Rock in Rio. Nosso mercado já tem outros gigantes para se orgulhar, mas eles não atingem o patamar do evento de Roberto Medina. Tenho alguns chutes que podem explicar esse carinho especial pelo festival nascido em 1985.
A primeira hipótese se deve ao momento histórico do surgimento do Rock in Rio. Era o início da abertura do mercado brasileiro de shows para o mundo. Antes, tínhamos apresentações esporádicas dos grandes nomes do showbizz gringo em nossas terras. Era um Kiss aqui, um James Brown ali, um Santana acolá, um Queen que deixava todos tão surpreendidos quanto o pouso de uma nave espacial no meio da Esplanada em Brasília. Não era rotineiro eventos internacionais no Brasil. O Rock in Rio tem o mérito de ser o primeiro festival que mobilizou um time de primeira para um evento único em nosso país.
Outro fato que simbolicamente marca o Rock in Rio é o momento político de sua primeira edição. Era o ocaso do regime ditatorial militar e o início da Nova República (qualquer um que use essa expressão entrega a idade no ato). Uma nova geração da música brasileira mostrava as caras junto dos medalhões tradicionais da MPB. Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e tantos outros comprovaram que tinham bola para jogar a primeira divisão e adquiriram respeito naquele palco da primeira edição.
Além disso, a amplitude estética da programação também colabora para uma maior atenção. Atrações díspares como Slayer e Alicia Keys convivem no mesmo espaço, mesmo que em dias diferentes, o que aumenta a pertinência do festival em diferentes nichos musicais.
Não vou ao Rock in Rio esse ano. Das grandes atrações, somente Bruce Springsteen e Metallica me animariam. Mas não concorrem com Black Sabbath e Stevie Wonder, onde depositei minha parcela anual do orçamento destinada a shows. Fica para a próxima, Medina!
Como do conforto do lar dá para acompanhar o festival, do primeiro final de semana, gostei da dupla Ivan Lins e George Benson, Living Colour, Marky Ramone com Michael Graves e Offspring. Sou velho demais para ter opinião sobre Beyoncé, além de seus inegáveis atributos físicos. Tenho embasamento em rock o suficiente para perceber o embuste que é o Muse. Ou seja, até agora foi tudo bem meia boca. O próximo final de semana tem tudo para ser melhor. Até porque piorar seria migrar para um Villa Mix…