Tocante. Não há outra forma de qualificar a foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foi divulgada aos quatro ventos ontem. Careca, sem barba e só com um modesto bigode. A pelugem sob o nariz está bem mais humilde do que a ostentada pelo ator que o interpretou naquele filme que o chamava de filho do Brasil (como se todos nós também não fôssemos). Sabendo que um dos efeitos colaterais do tratamento contra o câncer ao qual ele está submetido é a perda de pêlos, o que um dia foi chamado de “sapo barbudo” por Leonel Brizola se adiantou e raspou as bochechas e o cucuruco. E o que devia ser um momento de dor, acabou se tornando algo sensível e simpático. Como eu disse anteriormente, tocante.
Aquela foto nos induz a reconhecer que Lula está encarando o câncer com bom humor. E dá para perceber o carinho de Dona Marisa com o ato. Naquela imagem, não há dúvidas de que Lula vai vencer o problema. Dá para ver o astral, a estima, a convicção lá no alto. E em casos de sérias complicações de saúde, os especialistas dizem que o psicológico é fator determinante. Se for mesmo por aí, Lula vai tirar essa de letra. Mais fácil do que foi subir a rampa do Planalto, quando ele só conseguiu efetivar seu sonho na quarta tentativa.
Para ganhar a opinião pública por completo nesse momento de saúde frágil, agora Lula só precisa admitir que seu problema foi causado pelo péssimo hábito de fumar. Isso seria a coisa mais educativa contra o tabaco que ele poderia fazer. Mais eficaz do que anos e anos de campanha massiva bancada pelos cofres públicos. Ele deveria dizer que só está passando por isso por que por mais de três décadas manteve o vício de dar umas tragadas ao longo do dia. Aí ele cumpriria a função social de líder público, admitindo um vício e usando seu próprio exemplo de dificuldades para que outros não sigam o mesmo caminho. Seria louvável. Tomara que essa declaração venha ao longo do tratamento.
Voltando à foto, outro ponto que merece ser observado é a transparência com que Lula está tratando desse problema desde o diagnóstico. Tudo às claras, tudo de forma pública. Confesso que não sei se essa estratégia é a melhor para casos totalmente privados, mas no mundo de hoje, onde a indústria da fofoca sobre a vida pessoal adquire proporções massivas, não teria como ser diferente. E já que o mundo agora é esse, Lula está jogando o jogo da melhor forma.
E como nunca é demais desejar o bem, que Lula supere essa o mais rapidamente possível.