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A graça de Céu

19.09.2011 - 11:58:37
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Raisa Ramos

De voz aveludada com uma leve rouquidão ao fundo, Maria do Céu, mais conhecida como apenas Céu, leva um pouco do paraíso àqueles que a escutam. O nome não poderia ser mais adequado para a mulher filha de maestro com artista plástica, que aos 18 anos foi morar em Nova York para estudar jazz e aprender inglês. Casada com outro músico de igual importância na atualidade, Gui Amabis, a cantora se multiplica por mil para conciliar a carreira solo e outros projetos paralelos, que abraça com a mesma paixão e vontade de fazer o melhor. Dona de uma beleza encantadora, a paulista finalmente desembarca em solo goiano e traz para essa sequidão o conforto de sua presença. A partir das 20 horas da próxima terça-feira (20/9), o palco do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG) recebe Céu e toda sua graça. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
 
Com uma carreira internacional talvez maior do que a brasileira, a cantora coleciona elogios por onde passa. Com dois discos solo no currículo, a artista revelou à AR já estar trabalhando no terceiro álbum. "Vagarosa", título da última obra lançada, em 2009, foi inspirada pela maternidade de Céu, que quando o compôs, estava grávida de sua primeira filha, Rosa – inclusive é por isso que uma das faixas do disco é "Rosa Menina Rosa", de Jorge Ben Jor. Vaidosa, a orgulhosamente paulista contou, em entrevista por e-mail, detalhes de sua carreira e vida pessoal. "Estou muito feliz de ir a Goiânia", disse.
 
A Redação – Sabe por que seu nome é Maria do Céu?
Céu – Meu pai foi morar em Portugal quando pequeno e conheceu, ali na Aldeia, uma senhora, lavadeira muito simpática que todos chamavam de Céu. Seu nome real era Maria do Céu e meu pai guardou isso, achava bonito. Contou pra minha mãe e ela também gostou.
 
Você define seu gênero musical como crunk, apesar de cantar samba, afrobeat, reggae e outros estilos. De onde vem essa sua vontade de misturar os ritmos?
Acho natural misturar ritmos e sonoridades pois nunca fui de uma corrente específica na música, tipo samba, ou maracatu ou qualquer outra. Sou de São Paulo e aqui temos uma pluralidade muito grande cultural. Acho que seria estranho no meu caso , fazer algo apenas regional. Fora que tenho uma sensação de que música é livre, não tem fronteiras.
 
Como vários cantores brasileiros, você faz mais shows fora do Brasil do que no próprio País. Por que isso acontece? O exterior dá mais valor à musica brasileira do que nós mesmos?
Na verdade, eu faço a mesma quantidade de shows no exterior e no Brasil. O que acontece é que, como tem uma demanda grande por lá, acaba reverberando por aqui dessa forma. Acho que o que existe de fato lá é uma estrutura incrível, um apoio a festivais, mais casas adequadas pra tocar, mais apoio do governo pra que a máquina musical ande de maneira acelerada. Aqui é tudo mais difícil, como conseguir passagens pra viajar com a banda, não tem tantas casas de médio porte em todo o Brasil… Enfim… Acho que estamos caminhando. Tocar aqui pra mim é a melhor coisa do mundo, por isso vou correndo quando aparecem oportunidades bacanas. E olha que minha estrutura é muito enxuta, não tenho cenário, por exemplo.
 
Além da carreira solo, você também tem muitos projetos paralelos, como o Sonantes [projeto que inclui Gui Amabis, seu irmão Rica Amabis e a cozinha do Nação Zumbi, Dengue e Pupillo] e parcerias esporádicas com outros artistas. Como faz para encaixar e equilibrar todos esses trabalhos?
Isso é muito divertido pra mim, faço de peito aberto. Adoro me colocar a serviço de outros olhares na musica, sabe? Acho desafiador e enriquecedor.
 
Seu último álbum saiu em 2009 [Vagarosa]. Há planos para o lançamento do terceiro disco?
Sim, já dei início a esse processo.
 
Você é vaidosa? Que cuidados gosta de ter consigo mesma?
Acho que sim, gosto de me cuidar. Adoro creminhos, curto pesquisar coisas de maquiagens nessas andanças mundo a fora. Curto brechós… Mas na medida, também não passo do ponto nesse assunto.
 
Seu pai é maestro e sua mãe, artista plástica. O que eles influenciam na sua música hoje em dia?
Muito! Eles deram as primeiras diretrizes pra que eu treinasse meu olhar e ouvidos na arte. E foi precioso, sou muito grata.
 
Aos 18 anos você se mudou para Nova York. O que foi fazer lá e como foi a experiência?
Eu queria viajar, aprender uma língua e, acima de tudo, eu queria estudar um pouquinho dessa escola de jazz vocal, do blues e tal. Me encantei com a cidade. Na época ainda não tinha ocorrido o 11 de Setembro, as coisas eram diferentes.
 
Você tem uma filha pequena. A maternidade mudou seu jeito de ver a música?
Acho que meu segundo disco é um bom retrato de como a maternidade foi transformadora pra mim. Me mudou como ser em todos os sentidos. Acho que pra muito melhor!
 
Como é ser casada com outro músico e, de quebra, ainda trabalhar com ele?
É tranquilo, sabemos respeitar muito bem o espaço um do outro e temos muita admiração com o trabalho de cada um. Temos uma afinidade musical grande.
 
Quando se fala em música brasileira, logo se pensa no período da tropicália e dos cantores da época. Há até uma certa nostalgia com relação àquela década tão produtiva no nosso País. De alguns anos para cá, contudo, a qualidade e originalidade que antes só se via naqueles anos agora parece ter se revigoradas na voz de uma nova geração de músicos, na qual você está incluída, assim como seu marido, Tulipa Ruiz, Criolo, Jeneci, Curumim e vários outros. Você tem essa consciência de estar renovando a música brasileira?
Acho que tem muita gente boa e de fato fico feliz com essa movimentação, apesar de não considerar um movimento, como foi a Tropicália. Isso faz a gente querer continuar e melhorar!
 
Das suas músicas, tem uma preferida?
Não.
 
Para alguém que passa tanto tempo na estrada, viajando, onde é sua casa?
Na minha cama, minha cozinha meu travesseiro… em São Paulo.
 
Além de cantar, o que gosta de fazer para relaxar?
Gosto de desenhar, costurar e ver meus amigos. Adoro cinema também.
 
Goiânia espera ansiosa pela sua visita. O que preparou para o show de terça-feira?
Será o show que tenho feito mundo afora, uma mistura dos dois discos. Estou muito feliz de ir a Goiânia!
 
Serviço
Show – Céu
Local – Centro de CUltura e Eventos da UFG (Campus Samambaia)
Horário – 20 horas
Data – 20/9 (terça-feira)
Ingressos – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Locais de venda – Livrarias UFG, Livraria Leitura (Goiânia Shopping) e unidades do Sesc.
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por Redacao Jornal

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