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A importância do gibi

15.08.2013 - 17:38:01
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Goiânia – Hoje fiz a primeira assinatura de gibis da Turma da Mônica para minha filha mais nova. A partir do próximo mês, ela terá como companhia o universo de Maurício de Sousa para se encantar. Como esse também foi meu mundo lúdico e, acredito, deve ter sido o seu, nobre leitor, acho que os personagens criados pelo genial autor são um ponto de encontro da infância brasileira. Penso que a maioria dos nossos conterrâneos teve algum momento de contato e diversão com a obra de Maurício de Sousa quando criança. E todos temos uma ótima memória afetiva disso.
 
Recordo o quanto eu esperava aquele pacote de plástico por vezes cinza, em outras verde musgo, que guardava os gibis e chegava mensalmente pelos Correios. Minha mãe, até hoje apaixonada pelos personagens, lia tudo antes de mim. Eu conseguia ler um por dia – meu ritmo era bem mais lento. Meu preferido era o Cascão, por sua relação com o futebol. Não gostava do Horácio e do Astronauta, mas não era por isso que eu deixava de ler. Mesmo não curtindo muito, não deixava quadrinho algum passar batido.
 
Passados alguns anos, o universo de Walt Disney me pegou. Começou pelo Zé Carioca, também por conta de seu envolvimento com a pelota no Vila Xurupita Futebol Clube. Dali fui para o Tio Patinhas, Pato Donald e todos os outros personagens do autor norte-americano. Depois, a sátira em cima de tudo e todos da revista Mad me acachapou. Fui me afastar dos gibis somente na adolescência, quando não migrei para os quadrinhos de super-heróis, o que seria o caminho natural.
 
Minha filha mais velha também teve seu período com os personagens de Maurício de Sousa. Ela ainda mantém o contato com eles, mas por meio da versão juvenil dos mesmos no Turma da Mônica Jovem. A ambientação adolescente começa a fazer mais sentido para ela do que a infantil. Grande sacada para competir com os quadrinhos japoneses chamados de mangá que estavam ganhando espaço nessa faixa etária. Com os personagens clássicos em versão jovem, o autor brasileiro conseguiu reverter essa tendência. Usando de técnicas inspiradas nos próprios orientais, fez um golaço.
 
A esperança é que a partir do contato com os gibis, minha caçula parta também para os livros. Foi assim comigo, foi assim com minha primogênita e espero que a história se repita com a mais nova. Se vai dar certo ou não, conto para você dentro de alguns anos. Caso a estratégia dê com os burros n’água, precisarei refletir as razões. Afinal, quando proporcionamos o contato das crianças com o universo das letras, o mais provável é que isso não seja um fardo imposto pela escola, mas sim uma diversão desde sempre. Vamos ver…
 
Por enquanto, estou na maior ansiedade: quero só ver a cara da minha baixinha quando o gibi da Magali, seu personagem preferido, estiver em suas mãos… 
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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