A Redação
Goiânia – O avanço tecnológico promove muitas melhorias na vida de todos nós. Há soluções que jamais esperávamos no campo da saúde, dos transportes, da segurança. As coisas se tornaram mais céleres, o mundo mais eficiente. Consegue-se resolver problemas que antes pareciam intransponíveis com poucos clicks no computador ou no smartphone. Toda essa rapidez que as tecnologias proporcionam, no entanto, tem posto em risco biografias e reputações. Me refiro às fake news. A mesma rapidez que dissemina uma novidade científica que nos favorece e é benvinda, nos traz todos os dias a maldade de certas pessoas ou grupos no interesse de prejudicar grupos, empresas, governos e outras pessoas.
Com as redes sociais, todo mundo de repente passou a se sentir meio jornalista. Se analisarmos friamente, cada página pessoal no Facebook, por exemplo, é, sem dúvida, um veículo de comunicação. Claro que a audiência dependerá da popularidade do titular, do conteúdo que propaga, mas todo mundo certamente tem algum público que o segue e acredita em suas postagens. Por isso, é preciso antes de colocar alguma mensagem ou simplesmente copiar algo ou aceitar sugestões de alguém avaliar muito friamente todas as consequências que esse ato representa. Tudo para não se incorrer na divulgação de uma notícia falsa, cujas consequências podem ser danosas e sem retorno, com prejuízos incalculáveis.
Quando a gente recebe alguma foto ou informação de alguém, seja a pessoa famosa ou não, deve avaliar muito bem a situação. Primeiro verificar se aquela informação a prejudica, independente de ser verdadeira ou falsa. Depois se perguntar: e se fosse eu? Você, que lê este texto, gostaria que divulgassem aos quatro ventos coisas a seu respeito? Certamente que não. Afinal, todo mundo tem direito à privacidade. Mesmo aspectos positivos devem ser mensurados com atenção. Há coisas que em dados momentos contribuem positivamente com a imagem de alguém ou de uma corporação, mas cuja publicação não cabia naquele momento. Portanto, em vez de simplesmente sair enviando qualquer coisa, pense no dano que pode estar produzindo. Dependendo do caso, a vida da pessoa pode estar em risco ou sua imagem pode ter aranhões para o resto da vida.
Outro dia vi uma operação grande da prisão de pessoas pela prática de pedofilia. O delegado dizia que receber determinados materiais, ver e apagar não representa crime. Mas acumular, portar ou divulgar esse material é prática criminosa e passível de prisão por crime previsto em lei. Além, claro, de ser algo abominável sob qualquer aspecto. Em pouco tempo, o mesmo passará a acontecer em relação às fake news. Além da responsabilidade pessoal de cada um, a Justiça precisa cumprir com rigor o seu papel.
Num momento de grande importância para o Brasil, como é o caso das eleições, a Justiça em várias esferas deve ter sua atenção reforçada nesse sentido. Não tem o menor cabimento grupos ou pessoas que apoiam este ou aquele candidato passarem a soltar sem nenhum pudor notícias falsas sobre os opositores com o interesse de afetar suas reputações e atrair votos para seu lado. O voto deve ser conquistado de forma responsável, com propostas e ideias, no campo do debate público e baseado apenas em fatos reais. Mais que isso: além da punição, as pessoas deveriam execrar candidaturas que partam para esse caminho.