Já é um hit da internet o vídeo da noiva rejeitada no meio da rua pelo namorado. Ela preparou tudo: o carro de som, o outdoor na frente do trabalho do cara, o vestido de noiva, os amigos com celulares na mão. Quase tudo redondo, quase tudo na linha.
Só faltou combinar com os russos. O pretendido já aparece na rua demonstrando impaciência, sai de perto da menina, dá um esquete e causa constrangimento geral.

Se a parada foi mesmo de verdade, não dá para ter dó da garota. Ela pediu isso. Quem expõe algo tão íntimo como é um pedido de casamento em público de tal forma, sabe que uma das possibilidades é o não. Correu o risco consciente. Ouviu o que não queria.
Era uma das opções do cardápio do restaurante que ela escolheu. Caiu na rede e ela agora é ridicularizada nos quatro cantos do país. Esse é o novo mundo depois da popularização das câmeras no celular. Bem-vinda à vida real!
Dizem que pode ser um viral de alguma empresa para a internet. Pode ser. Também é a regra do jogo: se você quer saber da vergonha alheia, os publicitários estão prontos para explorar isso e faturar em cima de sua curiosidade. Sordidez de mão dupla. E está todo mundo ciente que é assim que é.
O que antes era um momento íntimo do casal, a decisão de dividir as contas para o resto dos dias (ou até que a chatice do outro se torne insustentável e que ambos decidam voltar ao cartório para desfazer aquilo que foi acertado) passa a ter expectadores. E, se tem plateia, a coisa muda de proporção. As reações são diferentes, a forma como os que estão ao redor alteram o agir, a resposta que não é esperada pode machucar mais.
Se a ideia era transformar aquele em um momento inesquecível, ela conseguiu. Não da forma que pretendia, é elementar, mas que ficará de forma indelével na sua memória.
É impressionante a falta de senso de ridículo que as pessoas têm. Não dá para publicizar tudo. Tem coisa que é para dentro, tem coisa que é só para você e a pessoa amada. A noção de intimidade está ficando cada vez mais fluída. O momento especial pode ser só para vocês dois. Não precisa ser para todos. Mas é preciso ter clareza de que, se é para todos, as coisas podem pegar caminhos inesperados.
Para terminar, cá entre nós, se uma namorada tivesse a estapafúrdia ideia de preparar algo do tipo na frente do meu trabalho ou casa, não sei qual seria minha reação. Senso de ridículo não é meu forte, confesso, mas isso extrapola até a minha elástica perspectiva.
A reação do Bruno no vídeo não me seria absurda.