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A pandemia que acelerou o futuro

15.06.2020 - 22:10:59
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É inegável que a pandemia do coronavírus, que persiste há alguns meses no Brasil e no mundo, transformou a realidade à nossa volta. Não me refiro apenas à alteração na rotina, que antes, para a maioria das pessoas, era agitada, repleta de compromissos e programações, mas sim de uma mudança profunda nas relações interpessoais, profissionais, comerciais, políticas e culturais. É certo dizer que o surto de Covid-19, que já matou milhares de pessoas em todo o País, acelerou o futuro.
 
E as mudanças são cada vez mais evidentes. Arrisco-me a afirmar que a pandemia antecipou a revolução digital em pelo menos 20 anos. Afinal, trancafiados dentro de casa para conter a propagação do super vírus, milhões de pessoas precisaram se ater à tecnologia para dar sequência aos compromissos profissionais, realizar acordos, consultas médicas e até mesmo para matar a saudade ou saudar um ente querido.
 
Em uma entrevista, o biólogo e doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale, Átila Iamarino, chegou a dizer que, em suas palavras, “O mundo mudou, e aquele mundo (de antes do coronavírus) não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade”.
 
Em Goiás, muitas empresas surpreenderam ao se adaptar rapidamente a esse novo estilo de vida, saindo em vantagem em relação às outras, que não tiveram a mesma expertise. Em mais de dois meses de isolamento social, até hoje existem escolas que não conseguiram implantar de forma eficaz o ensino à distância, deixando seus alunos a Deus dará.
 
Fato é que viver de forma isolada acelerou mudanças que já estavam em curso, como a educação a distância, o trabalho remoto, a busca por sustentabilidade e até mesmo a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social. Sem falar de outras pequenas mudanças, mais embrionárias e que talvez não fossem tão perceptíveis ainda, ganham agora um novo sentido, como, o fortalecimento de sentimentos mais solidários e com mais empatia.
 
Desejo ainda que valores, antes esquecidos, como o de passar mais tempo com a família, morar perto do trabalho para não perder tanto tempo no trânsito, e até mesmo experiências culturais mais imersivas, que tentam conectar o real com o virtual a partir da utilização de tecnologias que já estão por aí, mas que devem se disseminar, como a realidade aumentada e virtual, ganhe mais adeptos depois disso tudo. O futuro chegou mais rápido que podíamos imaginar e a única saída é nos adaptarmos.
 
*Almério Leão é advogado e empresário 
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por Almério Leão

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