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A vida após a pandemia

19.05.2020 - 22:14:50
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“Tudo que acontece de ruim é para melhorar”. Essa frase do prof. Poncrácio tem alguma coisa de certo.
 
A peste do Covil 19 castigou a humanidade, que está zonza com o dilaceramento da estabilidade mundial. A realidade que se abre aos nossos olhos é que o mundo jamais voltará a ser o mesmo.
 
No entanto abriu o horizonte para uma nova valorização da vida, com um foco mais introspectivo no repensar os valores individuais. Restabeleceu o convívio com parentes e pessoas amigas que se sitiavam ao diálogo distante, especialmente pela epidemia dos aplicativos dos celulares. Reativou o diálogo boca a boca (com máscara) entre pais e irmão, ausente mesmo estando lado a lado. Obrigou as pessoas a valorizarem novos hábitos pessoais, comportamentais e a repensar a vida como o valor mais alto da pessoa humana. O isolamento social, abominado por muitos, gerou mais efeitos positivos que negativos. Afetou as famílias forçadas a se integrarem, embora também fomentasse alguma dose de violência doméstica.
 
Claro que, ao se cuidar da saúde coletiva, há uma parcial paralisia do setor produtivo mundial, com consequências econômicas desastrosas. Este é um ano perdido. Tomara que não engula o próximo.
 
Entre os demais setores econômicos, o turismo foi o mais atingido. A ninguém é permitido desconhecer que a atividade abre 300 milhões de empregos no mundo e tem salvado economicamente nações até bem pouco tempo pobres, como Portugal, que se fortalece rapidamente. Sua retomada será lenta e gradativa, que ninguém se engane.
 
O Brasil é um dos destinos mais fracos do turismo sul-americanos, por carência da distância dos grandes centros emissivos e uma errática campanha institucional que leva apenas a imagem, sem maiores informações sobre os destinos brasileiros, inigualáveis em belezas. Além do mais é descomunal a balança entre receptivo e emissivo internacional. Enquanto recebemos pouco mais de seis milhões de estrangeiros, remetemos ao exterior mais de 20 milhões de brasileiros, a gastarem fortunas em suas viagens.
 
Por isso o foco turístico brasileiro tem que ser reinventado, voltando sua visão mais para o turismo interno desse país continental, estruturando nossos destinos domésticos mais atrativos, limpos e urbanamente organizados, sem grandes gastos. A limpeza, sinalização e calçadas sem buracos e logradouros bem cuidados é o que mais conta na percepção de um bom receptivo. Isso aliado a uma boa qualificação nos serviços de hospedagem e gastronomia e pode se transformar na principal fonte de investimentos de grandes grupos internacionais. 
 
Simples assim, sem grandes obras faraônicas. 
 
O país estará preparado para grandes campanhas internacionais, não se esquecendo que o mais provável visitante, segundo definição da Organização Mundial do Turismo (OMT), é o de curta distância. No Brasil, como já o é, são nossos vizinhos sul-americanos esses nichos a serem buscados.
 
Felizmente o Governo Federal, em seu principal programa de recuperação econômica, o Programa de Parceria Interministerial (PPI), lançado por decreto em 13 de maio, determinando ações integradas entre os vários Ministérios, dá alguma perspectiva positiva. Pela primeira vez colocou no bojo das discussões o Ministério do Turismo, por crédito do ministro Álvaro Antônio, e setores favoráveis e defensores da liberação dos cassinos em estâncias turísticas. É a forma mais eficaz que atrairia bilionários investimentos das grandes redes hoteleiras internacionais.
 
Aqueles que combatem a liberação do jogo no Brasil afirmam que seria uma fonte de prostituição, violência e lavagem de dinheiro. Isso é de uma insensatez desvairada. Você não vê isso em Mônaco, Las Vegas, Portugal ou Uruguai.
 
O melhor exemplo é Singapura, uma cidade estado da idade de Brasília. Há 10 anos recebia seis milhões de turistas internacionais, hoje recebe 66 milhões de visitantes estrangeiros. Por que? Porque librou a abertura de cassinos em estâncias próprias. O Uruguai, menor que o Rio Grande do Sul, recebe mais turistas estrangeiros que o Brasil. Ponta del Este é onde existem os cassinos mais tradicionais, que geram empregos nas áreas de serviços, shows, gastronomia e hospitalidade. É o mais sólido país da América do Sul. Um país sem corrupção, entupido em sua maioria por brasileiros gastadores, que poderiam deixar aqui sua pesada grana.
 
É só haver boa legislação protetiva e de funcionamento, com eficiente fiscalização e controle das normas funcionais, que teremos descoberto o segredo do ovo.
 
E poderemos ser felizes, sem choramingas.
 
Simples assim.
 
*José Osório Naves é jornalista e escritor, foi Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás por três mandatos.
 
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por José Osório Naves

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