Goiânia – O empresário, escritor e também jornalista Adalberto de Queiroz, eleito no final de fevereiro para integrar a Academia Goiana de Letras (AGL) com 30 votos, assumiu esta semana a cadeira número 32 da entidade cultural.
Em seu discurso, ele repetiu a fórmula do escritor inglês Gilbert Keith Chesterton, na qual acredita firmemente – “sou feliz e grato à Vida, pois creio que ‘A prova de toda felicidade é a gratidão’, Hoje e sempre, agradeço a Deus por tudo, principalmente por ter me dado a chance de receber educação de qualidade, mesmo tendo nascido em meio à escassez e à carência, de recursos e de afetos”. Citou, nos agradecimentos, os pais adotivos, que dirigiam o Abrigo que acolhia 100 crianças carentes; o “meu Estado, a cidade de Anápolis e a Vila Jaiara, onde aprendi a me relacionar dentro de regras de respeito mútuo e civilidade, mesmo em meio às dificuldades que vivenciamos nos anos 1960-70”. Foi pela “generosidade dos irmãos evangélicos de Anápolis e da missão norte-americana United Brothers que pude ter alimentação, acesso a vacinas e tratamento de saúde e aos primeiros estudos”.
Também expressou gratidão à família, começando pela “amada companheira de mais de quatro décadas, Helenir de Queiroz, uma mulher determinada, companheira de todas as horas, minha leitora número um, mulher de uma energia imensa – uma força da Natureza, que é o pilar moral e afetivo dos Queiroz – ora somando nove pessoas”: as filhas Maíra e Cecília, os genros Craig Foust e Hugo Lima, e os netos Lucas, Benjamin e Rodrigo, citando ainda gratidão à sogra-mãe, Carmelita Gomes Corrêa, falecida há dois anos.
Adalberto apoiou suas expectativas ao ingressar na AGL numa frase do professor José Mendonça Teles, que o precedeu na cadeira 32, que afirmou, ao ser empossado em 1979: “Entro para a Academia Goiana de Letras consciente de que devo fazer muito ainda para merecer esta honraria. Estou convicto de que será uma experiência das mais fecundas para mim, uma vez que estarei sentado ao lado daqueles que construíram e constroem a cultura goiana”.
Ao saudar o novo imortal, o escritor Brasigóis Felício disse de sua alegria em duplo sentido: primeiro, por ter apresentado a primeira obra de um jovem poeta, em 1985, e, mais de 30 anos depois, ao recebê-lo como novo integrante da Academia, “por merecimento, tendo recebido voto de todos os acadêmicos e acadêmicas presentes à sessão”. “Acertei no vaticínio, ao escrever o texto de apresentação do livro “Frágil Armação”, do estreante que nos veio solicitar o endosso, a palavra de estímulo, ante a angústia dos primeiros passos na jornada. Esta é a alegria que tenho hoje”.
“Recebemos hoje e aqui, neste sodalício, para muita honra nossa, e certamente dele também, o menino acolhido em uma instituição generosa, protetora e formadora de vocações sadias. O menino que, tornado adulto, não ficou prisioneiro do vitimismo e do coitadismo – que, tendo buscado nos livros e no estudo o caminho digno da ascensão na pirâmide social, sabendo ser ontologicamente nada perante a vastidão do universo, pretendeu ser tudo”, disse.
“Não desistiu ante as dificuldades da jornada, sendo sempre, em todas as horas, o mesmo simpático e alegre menino Beto, afetivo e caloroso, bom caráter, fraterno e solidário com seus amigos e conhecidos, sempre aberto e disposto a ajudar quem precisa de palavra de estímulo, de gesto solidário, de humanidade de ato e de palavras”. E completou “É como vejo, percebo e sinto o cidadão do mundo leal e afetivo às suas origens, o intelectual atuante, o poeta, o cronista, o crítico literário perspicaz e o ensaísta culto, bem formado e bem informado”.
No final da década de 70, Adalberto participou das antologias “Qorpo Insano” e “Veia Poética”. Em 1985, lançou “Frágil Armação (Poemas)” e, desde 2002, publica textos sobre temas culturais, religiosos e filosóficos em seu site aqui http://betoqueiroz.com.
Lançou em novembro de 2014 o livro “Cadernos de Sizenando” (poemas & crônicas). Em 2016, lança mais um livro de poesia – "Destino Palavra”. Em 2015, organizou grupo de debates e divulgação de literatura no Facebook e, ao final, coordenou e publicou “Literatura Goyaz: Antologia 2015”, com 45 escritores goianos, um livro de poemas e contos.