No último domingo, vivi uma situação engraçada. Como estou de molho, minha irmã, cunhado e sobrinho vieram almoçar na minha casa. Eu já falei que ando bem empolgado com esse lance de cozinhar. Então, fico pesquisando, inventando, descobrindo novos sabores e técnicas para preparar aquele rango astral.
Decidi fazer uma saladinha de frutos do mar como entrada, um frango marinado de um dia para o outro em um sem número de temperos de prato principal e um abacaxi com canela grelhado para a sobremesa. Bons vinhos brancos para acompanhar.
Imaginei que estava tudo certo, que iria agradar a todos e teríamos um almoço 100% timbre. Doce ilusão. Faltava aquilo que nem me ligo muito, mas que grande parte de nós é completamente dependente: o carboidrato.
Quando anunciei na mesa que iríamos para a parte do doce da refeição, minha irmã já levantou a voz:
– Tenho algumas considerações a fazer sobre esse almoço.
E começou a defesa incondicional dos carboidratos:
– Sabe o que faltou? Um arroz bonito e soltinho no prato! Algo que dê cara de almoço mesmo.
Minha mulher colaborou com a crítica à falta de carboidratos:
– É, precisava ter pelo menos um pãozinho…
Ali entendi meu erro fatal: desprezar a adicção geral por aquilo que é farto na batata, arroz e pão.
Não é que eu não goste de carboidratos. Eu sou apaixonado por comida italiana – o paraíso dos carboidratos. Só que não vejo necessidade de em toda refeição ter carboidrato no prato. Se tiver, beleza! Se não, beleza também!
Na minha visão, existe vida no mundo sem carboidrato. Só que para a maioria das pessoas não. É muito comum ver gente falando que se não tiver arroz ou a combinação clássica brasileira arroz/feijão na refeição, acham que algo está incompleto.
Para mim, arroz ou feijão são apenas opções do cardápio, que podem entrar ou não. Não sou dependente de nenhum tipo de comida para refeição alguma. O problema é que quando cozinhamos, não fazemos só para agradar nosso paladar. As pessoas que estão compartilhando esse momento com você devem estar se divertindo tanto quanto quem está no comando da cozinha.
Depois dessa, aprendi. Nunca mais desenvolvo um prato que não tenha uma boa dose de carboidrato. Vivendo e aprendendo!