Ontem rolou um vídeo na internet com um monte de artistas globais se posicionando contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Você não viu? Esse é o link. Assim que o lance foi divulgado, naturalmente recebeu um massacre público por parte dessa ondinha reaça que anda tomando conta das redes sociais. Independente do que os caras estão dizendo lá no vídeo do chamado Movimento Gota D’Água, preciso dizer que admiro essa postura de artistas que saem da zona de conforto, vão lá e dão a cara. Mesmo tomando porrada de tudo quanto é lado, mostram sua opinião. Gente de verve sempre mereceu meu respeito.
Confesso que não tenho opinião formada a respeito da questão específica que o movimento coloca. Sei da necessidade energética que o Brasil tem para seu desenvolvimento. Sei também que a geração de energias mais limpas como a eólica e a solar que o vídeo coloca ainda são inviáveis para uma grande escala. E é claro que sei dos interesses gigantescos de empreiteiras na construção de uma obra de porte tão vultoso, passando por cima de qualquer preocupação de cunho social ou ambiental. Nesse caso de Belo Monte, ainda me falta leitura para manifestar o que penso. Por isso não assinei a reivindicação que o vídeo coloca. Contudo, isso não impede que eu manifeste o total respeito por esses que foram lá e disseram o que acreditam.
É importante publicizar esse sentimento de solidariedade com a ação dos atores por uma razão simples: agora é cool ser reaça de internet. Um bando de playboy criado a todinho e que o pai paga a internet banda larga, descendo o cacete em quem se dispõe a fazer algo em que acredita. É uma postura muito calhorda. E mais: esse babaca só é reaça de rede social por que não viveu o momento em que os reaças gente grande estiveram no poder até 1985 e destroçaram qualquer tentativa de contraponto no debate. Galinho de briga reacionário de internet é tão folclórico quanto comunista maconheiro da Praça Universitária. Ambos são inofensivos, dependem dos pais para pagar as contas e enchem o saco de todos ao redor.
Em diversas ocasiões esses reaças mostraram ao mundo suas garrinhas. Antes do vídeo, foi no caso da ocupação da reitoria pelos estudantes da USP. Todo esse rancor acumulado no coração veio à tona da forma mais desprezível. Regojizaram quando a polícia entrou e torceram para que descessem o cacete nos alunos. Patético. Enquanto os reaças quebravam a cabeça para pensar no próximo tuíte virulento, as mães deles traziam o sanduíche com suco de pera no quarto, deixando ao lado do computador.
Sinceramente, sempre admiro mais quem desafia o status quo pelo que acredita do que quem xinga muito no Twitter. Sempre. Uma simples questão de princípio.