Você já brincou de ficar olhando as formas das nuvens? Se sim, lembra de quantos animais, pessoas e objetos conseguia ver? Quando criança já se imaginou sendo médico, bombeiro, professor ou qualquer outra profissão? E assistir filmes sem se preocupar com a hora? Criança é tudo igual em qualquer lugar do mundo. A inocência com que elas brincam é absurda. Uma caixa de papelão vira foguete, carro, geladeira ou fogão. Nos papéis, os desenhos nos levam para qualquer lugar do mundo, mesmo que o desenho pareça mais uma arte abstrata. Mas os pequenos conseguem ver galáxias, praias, montanhas e aquele sol sempre sorrindo.
Mas o que acontece quando crescemos e perdemos essa inocência e esse brilho no olhar que só as crianças têm? Quando viramos adultos a gente passa a ver a vida com mais ceticismo, acreditamos menos uns nos outros e as críticas, mesmo que sem querer no nosso inconsciente, estão presentes.
Acredito que neste mundo tão cheio de regras (algumas beiram o absurdo) a gente precisa acreditar mais um no outro, assim como as crianças acreditam no amigo quando pedem que eles vigiem a bola enquanto se vai ao banheiro, ou quando vão juntos descobrir um mistério na vizinhança.
Hoje em dia tudo é proibido, é crime, não pode. Observe que não estou dizendo aqui que tudo é permitido para todos. Só estou alertando para que deixemos tantas convenções de lado e apenas olhemos nos olhos um do outro pra conversar. Que saibamos o momento de brincar e que acima de tudo, se for o momento oportuno, que compreendamos a brincadeira e não a transformemos em bullying.
Que o elogio feito com sinceridade não seja compreendido como assédio. Ressalto mais uma vez que não estou banalizando, estou apenas alertando para que sejamos menos chatos e mais humanos. Que possamos conviver em sociedade sem tanta gente chata. Sim, tem gente que se você dá bom dia e pergunta se está tudo bem, a resposta já vem pronta: por que quer saber se estou bem? Estou com cara de quem não está bem? Está me vigiando? Está querendo me chamar pra um encontro? Isso é assédio hein!
Na nossa correria do dia-a-dia, que possamos ter um olhar menos crítico e mais afetuoso com o próximo. Em um mundo cheio de mimimis, afeto e uma boa xícara de café caem muito bem.
*Fabrício Santana é jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia pela PUC Goiás