A quinta-feira (6/12) foi um dia movimentado no mercado brasileiro de livros digitais. Com o início das operações da Amazon e da livraria do Google Play, o País parece finalmente mergulhar de cabeça nessa tecnologia. Purismos à parte, tudo leva a crer que este é um movimento sem volta. Não significa, porém, que os livros tradicionais seguirão rumo à extinção, mas as plataformas digitais definitivamente entrarão na briga pelos leitores brasileiros.
As prateleiras digitais brasileiras estavam entregues às moscas cibernéticas até pouco mais de dois meses. O que havia eram honrosas iniciativas, como a editora Gato Sabido. Porém, mesmo com negócios prósperos, faltavam os gigantes que fazem a roda do mundo dos negócios girar – as plataformas digitais da Saraiva, uma gigante do setor de livros de papel, nunca chegaram a empolgar.
Tudo começou a mudar com o desembarque da iBookStore, da Apple, em outubro. Em menos de um mês, segundo reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, a livraria virtual já vendia mais que as versões da Saraiva e da Cultura, juntos. Nos Estados Unidos, a Amazon vende 5% mais livros digitais que em papel.
Porém, o consumidor brasileiro ainda é reticente. Segundo a Câmara Brasileira do Livro, apenas 0,025% das obras vendidas em 2011 eram digitais. Mas as projeções é que, em 2014, a participação chegue a 10% do faturamento.
Uma das explicações para o ainda pouco interesse do brasileiro pelos e-books é o preço proibitivo dos tablets – um iPad básico, por exemplo, custa por volta de R$ 1.299. A barreira do preço, contudo, pode ser superada pelo Kindle, o leitor da Amazon, que chega ao Brasil por R$ 299, sem contar a possibilidade da compra nos EUA, onde ele sai muito mais barato.
O Kindle tem outra vantagem sobre o iPad: a tecnologia E-Ink, a “tinta digital” utilizada no leitor de e-book da Amazon, permite uma leitura mais prazerosa e menos cansativa, mais próxima do livro de papel. Por outro lado, o iPad oferece uma possibilidade maior de criação de títulos interativos, que podem agregar fotos, animações, vídeos e entrevistas aos livros. Já o Google entra na briga com força por causa da ampla quantidade de tablets que utilizam o sistema Android, que serão compatíveis com as obras disponibilizadas.
Em relação aos preços dos livros, a Amazon começa melhor. O best seller Cinquenta Tons de Cinza, por exemplo, custa hoje R$ 21,90, contra R$ 21,91 no Google Play e R$ 30,26 na iBooStore.
Enfim, o leitor passa a contar com um amplo leque de escolha, de acordo com preferências e disponibilidade financeira. E, como o brasileiro ama tecnologia, a moda tem tudo para pegar.