Logo

Amamentação no Brasil ainda precisa melhorar

10.08.2022 - 10:42:33
WhatsAppFacebookLinkedInX

A Redação

Goiânia – Pesquisa inédita coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e divulgada em novembro de 2021, mostra que as taxas de aleitamento materno vêm crescendo no Brasil. O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (EnaniI-2019), encomendado pelo Ministério da Saúde, aponta que metade das crianças brasileiras são amamentadas por mais de 1 ano e 4 meses e que, no País, quase todas as crianças foram amamentadas alguma vez (96,2%), sendo que dois em cada três bebês são amamentados ainda na primeira hora de vida (62,4%). 
 
No Brasil, há 45,8% de aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses, 52,1% aos 12 meses e 35,5% aos 24 meses de vida. Os números são positivos, mas ainda estão aquém da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2030: 70% de amamentação na primeira hora de vida, 70% exclusivamente nos primeiros seis meses, 80% no primeiro ano e 60% aos dois anos. A importância da amamentação para o pleno desenvolvimento das crianças é tema da campanha Agosto Dourado, criada em 1992 pela OMS em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). 
 
A cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. A pediatra Stephânia Laudares (CRM 18708) destaca que a amamentação já era uma informação de domínio público, mas foi favorecida com o advento da covid-19. “Acredito que depois que a pandemia a conscientização aumentou, as pessoas começaram a entender a importância do aleitamento materno na imunidade e proteção contra doenças na infância. Acredito que exista uma crescente preocupação de estimular o aleitamento materno”, destaca.
 
Para aumentar a proteção de mãe e bebê, a especialista fala sobre as vacinas. “Durante o período de lactação, ou seja, enquanto a mãe estiver amamentando ela pode e deve ser vacinada contra Covid-19, o vírus influenza, que é a vacina da gripe, entre outras vacinas, pois assim ela consegue a confecção de anticorpos e, consequentemente, proteger o seu filho através da amamentação, com a passagem de anticorpos pelo leite materno”, afirma. 
 
Segundo a médica, as mulheres que estiverem doentes devem continuar amamentando, mas com certos cuidados. “Nas mães contaminadas com a Covid-19 ou outras viroses respiratórias o aleitamento materno não precisa ser interrompido. É importante que a mãe amamente a criança sempre de máscara, preferencialmente a N95, mas pelo menos a máscara cirúrgica, e que a mãe sempre higienize bem as mãos com água e sabão antes de amamentar e manipular a criança. Além disso, quando a mãe não estiver amamentando é importante que se mantenha uma distância de dois metros da criança”, aconselha.
 
Vantagens
As vantagens da amamentação são várias e Stephânia Laudares elenca algumas delas. “O leite materno é o alimento mais completo, garante calorias, proteína, todos os micro e macro nutrientes necessários para crescimento e desenvolvimento da criança, tanto do ponto de vista físico, quanto neurológico. Além disso, através do aleitamento materno é possível que a mãe proteja a criança contra doenças comuns, por exemplo, virais, parasitárias, principalmente nos primeiros seis meses de vida pela passagem de anticorpos”, destaca.
 
Os benefícios também se estendem pelos anos. “É comprovado que a longo prazo o aleitamento materno diminui ou tem contribuição na menor chance de obesidade no futuro e síndromes metabólicas como, por exemplo, o aumento do colesterol e triglicérides, a hipertensão e a diabetes. Diminui o risco de alergias, especialmente as respiratórias, e até tem um papel na alergia alimentar. O ato de ser amamentado ao seio materno também favorece o adequado desenvolvimento da musculatura da face, da cavidade oral e toda essa anatomia da região”, ressalta a pediatra.
 
As mamães também se beneficiam ao amamentarem. “Ajuda na redução da incidência de tumores malignos, como câncer de mama e de ovário. Além disso, também contribui, por exemplo, para perda de peso e calórica. Porque durante a amamentação, para produção de leite, a taxa de metabolismo aumenta muito e a mãe, consequentemente, acaba podendo perder peso por isso”, detalha Stephânia Laudares. “O aleitamento materno também pode aumentar e estreitar o vínculo e os laços afetivos entre mãe e bebê”, completa a médica.
 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Postagens Relacionadas
Saúde
27.02.2026
Doses mais altas de Mounjaro chegam ao Brasil em março

São Paulo – A farmacêutica Eli Lilly anunciou nesta sexta-feira, 27, que concentrações de 12,5 mg e 15 mg de Mounjaro serão disponibilizadas no Brasil a partir da segunda quinzena de março. Com isso, o País passará a contar com todas as doses disponíveis do medicamento: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 […]

sequenciamento de DNA
26.02.2026
Nova tecnologia do SUS reduz tempo de diagnóstico de doenças raras

Brasília – O Sistema Único de Saúde (SUS) vai contar com uma tecnologia para agilizar e deixar mais preciso o diagnóstico de doenças raras. A estimativa é que nova plataforma de sequenciamento completo de DNA que vai ser ofertada na rede pública atenda até 20 mil demandas de todo o Brasil por ano e reduza […]

diagnóstico e tratamento
25.02.2026
Prefeitura amplia projeto voltado a doenças dos olhos em goianienses com diabetes

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), retomou e ampliou o projeto “De Olho na Vida”, para diagnóstico e tratamento precoce das doenças dos olhos em pacientes com diabetes. Na terça-feira (24/2), a secretaria promoveu um encontro para apresentar o projeto aos distritos sanitários da capital, […]

Vida e saúde
25.02.2026
Goiás tem cinco casos suspeitos de mpox

Ludymila Siqueira Goiânia – Goiás tem cinco casos suspeitos de mpox, doença causada por um vírus que pertence à família dos Ortopoxvirus, do mesmo grupo da varíola. Em 2026, o Estado registrou 15 notificações, sendo que 10 foram descartadas. Conforme relatado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO) à reportagem do jornal A Redação, não […]

Saúde
24.02.2026
Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS

Brasília – O Instituto Butantan anunciou nesta terça-feira (24) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente. o lote seria entregue no segundo semestre deste ano. Com o novo prazo, serão distribuídas ao todo 2,6 milhões […]

Saúde
24.02.2026
Prefeitura de Goiânia detalha convocação de 798 médicos para atuação na rede municipal

A Redação Goiânia – O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, apresentou o balanço do novo credenciamento médico da prefeitura de Goiânia, nesta terça-feira (24/2), no Paço Municipal. Na coletiva, foram detalhados os avanços no processo de contratação e o impacto das medidas adotadas para garantir a manutenção do atendimento em toda a rede. A […]

Vida e saúde
24.02.2026
Prefeitura de Goiânia prevê contratação de até 1,8 mil médicos em 2026

Ludymila Siqueira Goiânia – A Prefeitura de Goiânia apresentou, na manhã desta terça-feira (24/2), um balanço do credenciamento para contração de novos médicos para composição do quadro da rede municipal de saúde segundo edital publicado em 2025. Ao todo, 2.934 profissionais se inscreveram, destes 798 já foram convocados. Ao todo, 1,8 mil médicos devem ser […]

Saúde
22.02.2026
Laboratório da rede pública estadual de Goiás conquista selo máximo de qualidade

A Redação Goiânia – O Hospital Estadual de Trindade (Hetrin), obteve 100% na avaliação do Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ), coordenado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). O selo representa o mais alto reconhecimento à precisão e à confiabilidade dos exames laboratoriais. A unidade, localizada na Região Metropolitana de Goiânia, mantém o […]