Adriana Marinelli
Goiânia – “Niemeyer se inspirava, entre outras coisas, nas montanhas, nas nuvens e nas formas das mulheres para projetar suas obras.” É o que diz o arquiteto goiano Luiz Fernando Teixeira, o Xibiu. Em entrevista ao Jornal A Redação, na tarde desta quinta-feira (6/12), ele contou um pouco de como foi o tempo que conviveu com Niemayer e como o gênio das curvas tinha uma mente brilhante.
Xibiu conta que conheceu Dr. Oscar, como o chamava, em 1963, na Universidade de Brasília (UNB). “Foi o ano que entrei na escola de arquitetura da universidade e ele era coordenador do curso naquela época.”
De acordo com o arquiteto goiano, niemeyer sempre aconselhava os estudantes, inclusive ele. “Me recordo de um dia que eu, juntamente como um grupo de amigos, fui até a sala do Dr. Oscar para pedir sugestão de livros. Uma frase que ele me disse eu nunca vou esquecer: `Vocês precisam ler os clássicos, eles vão ensinar mais do que livros de arquitetura’.”
Ainda segundo Xibiu, Niemeyer sempre teve uma vida simples e nunca se importou com mordomias. “Do ponto de vista ético e considerando a maneira como ele enxergava o mundo com igualdade, eu nunca encontrei ninguém igual”, afirma.
Mesmo depois de tanto tempo sem contato com uma das pessoas mais criativas da história da arquitetura, Xibiu ainda se lembra de alguns detalhes. “Ele morria de medo de avião e, para ficar um pouco mais alto, ele usava pequenos saltinhos”, conta, sem esconder a saudade. “Foi muito bom ter conhecido e convivido algum tempo com uma pessoa como o Dr. Oscar.”