Yuri Lopes
Imagine um local cheio de sujeira e todo tipo de pintura, inclusive pichação. Os muros da praça entre as avenidas 115 e Jamel Cecílio, no Setor Sul, eram assim. Eram. Agora eles esbanjam o colorido do traço do artista plástico e ilustrador André Morbeck, que transformou o muro dos fundos de uma casa em painel de arte ao ar livre, em 2009. Ele contou com a ajuda do colega de profissão, Decy, que pinta e grafita com André até hoje. Depois do primeiro trabalho pronto, outros moradores se interessaram em ter seus muros pintados por André.
André (esq.) e o parceiro de spray Eduardo Luz durante pintura de muro no Setor Sul (Foto: Randes Nunes)
O artista plástico conta que pintou sete muros, nem todos concluídos. André mora na região da Praça e lembra que os muros eram todos pichados, sem vida e sujos. “Depois que pintei o primeiro, os próprios moradores começaram a me pedir para fazer os desenhos em seus muros”, conta. Mas nem todo mundo é receptivo ao trabalho do artista. André diz que certa vez grafitou a parede de uma empresa de segurança e a direção pediu para que parasse com o desenho.
Um dos muros pintados pela dupla de artistas plásticos (Foto: Randes Nunes)
Outra obra do ilustrador que teve que ser paralisada é o bebê gigante pintado no viaduto da Unip, no Alto da Glória. André conta que denunciaram a ação por vandalismo e ele foi parar na 8ª Distrito Policial, onde teve que assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). “Depois desse episódio eu transformei a raiva em projeto”, conta ele, que está elaborando um projeto para ser apresentado às leis municipal, estadual e federal de incentivo à cultura.
André Morbeck posa ao lado de uma dos desenhos criados por ele (Foto: Randes Nunes)
Arte a céu aberto
André Morbeck explica que o projeto pretende transformar o viaduto que passa por baixo da BR-153 em um grande painel a céu aberto. “Meu objetivo é fazer com que o viaduto vire a maior galeria aberta de arte do Estado”, declara o artista.
André só larga os sprays que usa para desenhar para mexer com mais arte. Ele também trabalha com animação e ilustração para editoriais em revistas. Entre o primeiro muro, há três anos, até poucos meses, André se refugiou na Oceania, onde passou dois anos na Austrália e Nova Zelândia. “Passei dois anos fora e cada semana era uma cidade diferente, em busca de trabalho”, conta ele. O artista fez ilustrações e animações que foram exibidas na televisão australiana. Em Sydney, trabalhou durante um ano em um estúdio de tatuagem.