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Árvores: mínimo de 12 m² é “balela”

01.12.2011 - 18:01:29
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José Tabacow traz em seu currículo o grande nome do
paisagismo brasileiro, Roberto Burle Marx, com quem trabalhou durante 17 anos. Somado
a isso, o arquiteto e paisagista é especialista em ecologia e recursos naturais e doutor em geografia. E
deu esta excelente entrevista para o site Vitruvius, que li pouco tempo atrás. Foi quando
resolvi fazer contato. Eis o resultado:

Como
mensurar qual é a necessidade de área verde de uma cidade?
José
Tabacow:
Não
existe um dado estabelecido para essa mensuração. O mínimo de 12 m²/habitante,
supostamente determinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma balela.
A OMS nunca fixou essa medida. O número mínimo recomendável, se existisse,
mudaria de uma cidade para outra. A explicação é que há muitas variáveis
envolvidas na análise do problema: clima, geomorfologia, aspectos culturais e
densidade populacional são algumas delas. Será que as necessidades de San Pedro
de Atacama [no Chile], pequena cidade a 2.800 metros de altitude e situada em
meio a um deserto, seriam as mesmas de Florianópolis, com 400 mil habitantes,
alta umidade e ao nível do mar?

Em Goiânia,
estão substituindo grandes mongubas, sibipirunas e sete copas por escovas de
garrafa
, quaresmeiras e palmeiras. Qual é a diferença entre um
paisagismo repleto de grandes árvores e outro tomado por exemplares menores?
JT: Fica difícil entender o porquê
de certas medidas, sem estar presente e acompanhando todo o processo. Se eu
fosse intervir paisagisticamente em Goiânia, minha primeira preocupação – mas
não a única – seria amenizar os desconfortos da estação seca. Eu buscaria o
microclima e a identidade paisagística das matas de galeria que cruzam os
cerrados do planalto central. Mas não acho que todos os paisagistas deveriam
fazer o mesmo. Paisagismo, como obra de arte, não pode se limitar a fórmulas e
receitas.

A
manutenção de áreas verdes em uma cidade é vista por alguns setores como um
“custo” a ser reduzido. O setor imobiliário visa áreas para construir.
O setor elétrico contabiliza danos à fiação e postes quando da queda de árvores.
Parte da população teme ser atingida de alguma maneira – seja no
“trabalho” que a árvore dá, ao “sujar” ou danificar a
calçada – seja com a queda de árvores sobre seus bens ou sobre suas próprias
cabeças. Queria saber como, na sua opinião, devemos contabilizar os
“custos” de ter fartas áreas verdes e numerosas árvores, em
contraposição aos benefícios que nos propiciam e aos custos de não tê-las.
JT: As áreas verdes e a arborização
de uma cidade não são nem mais nem menos importantes que outras necessidades
urbanas, como distribuição de energia ou investimentos no sistema viário. São
coisas não comparáveis entre si. Uma delas não pode ser atendida em detrimento
das outras. Mas também há que considerar a cultura local. As mesmas pessoas que
costumam queixar-se da sujeira das árvores reclamam dos desconfortos do calor e
da secura do ar, porque não percebem que tais fatores podem e devem ser
amenizados por uma vegetação qualitativa e quantitativamente adequada e bem
distribuída nos espaços urbanos. Outras, como eu, não consideram lixo as folhas
e flores que caem nos passeios. Muito mais lixo é a poluição visual dos
agressivos cartazes de publicidade que infestam as paisagens das cidades.

Quais são
as cidades brasileiras que realmente podem nos dar exemplos de como manter
áreas verdes e arborização importantes para seu funcionamento e para o bem
estar de sua população?
JT: Seria necessário um
levantamento criterioso, para responder adequadamente. Dificilmente alguém
conhece muitas cidades de forma a poder fazer tal avaliação. O que podemos ter
é uma impressão superficial, definida por conhecimento parcial das cidades. Eu
posso ter a sensação de que Curitiba é uma cidade bem arborizada porque
circunstancialmente conheço os setores mais arborizados da cidade. 
Outro aspecto importante a mencionar é a
distribuição da arborização e áreas vegetadas. A própria cidade de Curitiba é
quantitativamente bem aquinhoada de parques, porém estes concentram-se, em sua
grande maioria, na parte norte da área urbana. Pelas circunstâncias do
desenvolvimento local, relevo, declividades etc., as áreas disponíveis para
parques e espaços livres, decorrentes de antigas pedreiras e fundos de vales,
acabaram concentrando-se apenas no setor norte. Por isso lá estão os parques,
não por uma decisão de projeto urbano. 
Não é conhecido, no Brasil, um planejamento que
possibilite que o conjunto de espaços livres de uma cidade seja intencionalmente
distribuído de forma sistêmica, no sentido de atenderem com equidade espacial
às demandas urbanas. 

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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