Todo ano os condutores de carros e motos conseguem ver a correlação entre o período de chuvas e o surgimento de buracos nas estradas e vias urbanas. A explicação desse fato é simples, o asfalto é uma estrutura sólida gerada a partir da fusão de diversos elementos.
Essa fusão necessita de impermeabilizantes e ligantes de qualidade para que a chuva desfaça o trabalho.
As chuvas são o inimigo número 1 dos pavimentos. Quando não há uma drenagem bem dimensionada e a pista não conta com um “caimento” ideal, ocorre o acumulo superficial da água na pista, e o tráfego dos veículos “bombeiam” essa água pelas fissuras formando trincas que consequentemente se tornam buracos.
Se o problema começa pelas trincas, então, por que permite-se o surgimento delas e demais problemas pré-maturos, sendo que a garantia mínima de um pavimento deveria ser de 5 anos? Alguns apontamentos de um estudo da Confederação Nacional de Transportes (CNT) ajudam a explicar:
1. Recursos insuficientes para a construção, fiscalização e manutenção de rodovias e vias urbanas.
2. Manutenção preventiva menos recorrente do que o necessário.
3. Falta de planejamento de manutenção das estradas. O Sistema de Gerência de Pavimentos está com dados desatualizados, portanto não são de confiança.
4. Excesso de gasto com correções oriundas da má execução de obras (até 24% do valor da obra), além de falhas técnicas na execução e ausência de controle de qualidade de matérias-primas.
5. Adoção de métodos e técnicas ultrapassado na construção de rodovias. Adotado na década de 1960, o método de dimensionamento usado no Brasil apresenta uma defasagem de 40 anos, em média, em relação a outros países. Um dos fatores que mais impactam o comportamento dos materiais do pavimento é o clima, principalmente as variações de temperatura e umidade. O método usado no Brasil não considera diferenças climáticas.
6. Falta de fiscalização e controle de pesagem em rodovias.
É importante que o brasileiro tenha esse conhecimento para saber cobrar dos governos intervenções objetivas e eficientes para trazer segurança duradoura a longo prazo no trânsito. Tapar buracos é necessário, mas é solução paliativa. É melhor, mais barato e mais eficiente prevenir do que remediar.
*Thais Sanches é engenheira de produção; especialista em administração de empresas e diretora financeira da Ecolink Solutions